sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O chocolate, o vinho e o saca-rolhas


Pedrinho andava meio perdido. Após algumas desilusões, ficou praticamente dois meses vivendo dentro de uma ostra.
Era chamado para sair para as baladas, mas sempre declinou dos convites. Aceitava apenas programas familiares.
Certo dia um amigo o convidou para jantar na casa da irmã de sua noiva. Ronaldo fez bons comentários sobre a cunhada, falando o quanto ela seria legal, simpática etc. Pedrinho já conhecia Cibele, a noiva de Ronaldo, e a descrição da cunhada relatada por este, era semelhante com a dela. Ele foi para o evento sem qualquer expectativa. Pensou apenas em curtir um programa familiar e conhecer gente nova. Porém, ao conhecer Anna, recebeu um abraço de boas vindas, nada anormal, foi apenas um abraço inocente, mas, que de certa forma mexeu com ele. Naquela noite, Pedrinho não teve muita oportunidade de conversar com Anna, no entanto, já percebera que ela era muito especial. Saiu do jantar um tanto impressionado, mas, sem coragem de pedir o telefone.
Outro jantar aconteceu. E, desta vez, ele conseguiu conversar um pouco mais, e na saída deu a ela o número do seu telefone.
Como haviam comprado muita coisa, a sobra os obrigou a fazer um almoço no dia seguinte. Então, pela manhã, Anna o surpreendeu com um telefonema chamando-o para iniciar os preparativos. Assim, ela acabou cedendo o número do seu celular que ficou armazenado no bina do telefone dele. Quando chegou, foi recebido com o mesmo abraço das outras vezes, sereno, carinhoso, inocente e sincero.
Nesta noite, saíram ao encontro de uma turma de amigos de Cibele e Ronaldo. Anna não conhecia quase ninguém e ele idem. Pedrinho disse-lhe que não teria ido sem ela. E Anna confidenciou o mesmo. Foi uma noite muito agradável. Ele teve a oportunidade de presenteá-la com uma rosa.
Aconteceram outros encontros e jantares. Conforme passou o tempo, foram se conhecendo melhor. Pedrinho descobriu o chocolate preferido dela, e guardou um generoso pedaço prometendo que ficaria reservado até que ela buscasse em sua casa.
Ele percebia que havia muito carinho nos olhos de Anna e sentia que estava se apaixonando. Ela é uma pessoa dotada de muita ternura. Entretanto, ele se deu conta que o seu envolvimento era maior do que o dela.  Por isto, resolveu afastar-se aos poucos. Porém, em ocasiões que ele ficava sem ligar ou dar sinal, ela enviava uma mensagem pelo celular. Então, ele ligava de volta. Mesmo assim, achou que seria melhor um afastamento. Quando ele estava praticamente decidido, ela o avisou que estaria indo ao Shopping. Ele não resistiu e perguntou se ela gostaria de companhia. A resposta foi positiva. Fizeram um curto happy hour e na saída ela lhe deu uma carona. Na despedida, ele a beijou. Foi um beijo rápido.  Ele ficou meio zonzo com o acontecido, e ela apesar de também ficar um tanto perturbada, correspondeu.
Pedrinho teve vontade de correr atrás do carro e quando ela partiu não sabia direito para que lado ir. Ficou, na rua, rindo sozinho como um adolescente após o primeiro beijo. Anna confessou que também ficou perdida e quase bateu com o carro.
Devido a uma viagem de Anna eles se afastaram fisicamente, mas por telefone e recursos de internet eles nunca deixaram de manter contato.
Após o retorno de Anna eles voltaram a se encontrar.
Desta vez os beijos foram mais demorados e mais quentes. Conversaram, mostraram carinho um pelo outro. A partir deste dia, passaram a se encontrar com mais freqüência.
Devido ao trabalho de Anna, que fazia com que viajasse muito, ela nunca quis assumir o compromisso.
Sempre que o relacionamento ficava mais sério, Anna se afastava. Pedrinho já não estava mais suportando a situação, porque mesmo com ela por perto se sentia sozinho. Ele só queria uma decisão de Anna. Fascinado e apaixonado não conseguia se afastar. Quando tentava, ela não deixava. Anna gostava da companhia dele e não queria abrir mão disto, mas entendia o mal que poderia estar fazendo a uma pessoa que estimava tanto.
Foram tantas idas e vindas até que surgiu o acampamento. Pedrinho não queria ir, mas como ela demonstrou muito o seu desejo de tê-lo por perto o convenceu.
A praia é paradisíaca. Porém, como havia mais pessoas, Anna se comportou da mesma forma que das outras vezes. Os abraços e beijos eram furtivos longe dos olhos curiosos. Somente Anna se preocupava com quem os cercavam. Pedrinho só queria demonstrar seu carinho, sem se preocupar com o que estava a sua volta. Todos já tinham consciência do que rolava, mas Anna permaneceu irredutível. Apesar dos incidentes ocorridos no acampamento, o fim de semana foi salvo por momentos mútuos de ternura. Anna estava quase se abrindo, mas o dia acabou e tiveram que retornar. Na viagem de volta Pedrinho tentou fazer com que Anna falasse de seus problemas, mas em vão. Então aconteceu a primeira briga. Ao fim da viagem um acerto, mas não convincente. No dia seguinte resolveram se encontrar para uma conversa. Anna então, foi ao apartamento de Pedrinho, e finalmente buscou o chocolate. Mas, a noite não foi agradável, devido os mistérios dela e falta de paciência de Pedrinho, brigaram novamente. Anna foi embora e os problemas ficaram mais uma vez sem solução. Em todas as discussões de relacionamento ela afirmou que não queria envolvimento, mas não percebia que já estava envolvida. Ela não queria arriscar e tentava lutar contra a situação.
Relatou que tinha muitas pendências na vida que ainda precisavam ser solucionadas e que um relacionamento nesta fase, ela poderia não dar conta. Pedrinho preferia arriscar ao lado dela. Disse-lhe que se o amor fosse verdadeiro ela poderia se sentir mais forte para resolver todas as suas pendências de vida.
Para que todos os bons momentos que passaram juntos não ficassem resumidos a uma briga, marcaram um novo encontro. Pedrinho comprou outro chocolate e também um vinho. Porém, avisa que não teria como abri-lo. Anna, então, levou o saca-rolha. Eles conversaram, beberam um pouco e trocaram carícias. Desta vez não houve brigas, mas também não houve acertos. Pedrinho queria que ela ficasse naquela noite, mas Anna disse que precisava ir embora. Mais uma vez não chegaram a nenhum consenso e ela partiu deixando-o com vontade de chorar, meia garrafa de vinho por beber e o chocolate preferido a apreciar. Anna esqueceu o saca-rolha. A ele restou a esperança dela voltar para buscar o chocolate, o vinho e o saca-rolha.

7 comentários:

  1. Suflair e Marcus James? Este chocolate merece um vinho melhor.
    By Adalbs...

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    1. Nem Suflair nem Marcus James, errou feio - rsss. Abraço.

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  2. Mt legal o seu blogger achei os posters bem interesantes... obrigado por visita meu blogger sonhos de uma garota

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  3. O saca rolha é a esperança que o Pedrinho tem para Anna voltar, bendido saca rolha. Cláudio beijos.
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    Estrela da Manhã

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  4. Eu não acredito que vou ter esperar pelo próximo capitulo,não via a hora de chegar ao fim para ver no que isso ia dar, e não deu em nada...rsrsrsrs...escreva a segunda parte, será que o Pedrinho vai ficar a ver navios...coitado.
    Belo texto Claudio...
    Beijos com carinho
    Marilene

    Blog folhas flores e sutilezas

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  5. Muito bom esse texto.

    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  6. Pelo amor de Deus que final filho da mãe este!!!
    Esta Anna também viu! Coitado do Pedrinho...

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