domingo, 14 de setembro de 2014

Arrombamento frustrado

Gonçalves é um cara pacato, da paz, mas faz aulas de “Muay Thai” para ter uma atividade física. Ele se formou em Engenharia Eletrônica e é especialista em implosões.
Há anos, ele tem uma casa de veraneio, na cidade Balneário das Pinhas, onde é muito conhecido, para curtir os fins de semana, verão e feriados prolongados.
Nos últimos anos, coisas não muito agradáveis começaram acontecer nestas praias ao final do verão. Larápios invadem as casas dos veranistas para roubar. Como os arrombamentos têm se tornado muito frequentes, Gonçalves tira uns dias de folga e vai, com sua esposa, a sua casa de lazer para providenciar um alarme, que é um recurso respeitado pelos arrombadores, pois o mesmo fica ligado a uma central da empresa responsável pela segurança. 
          Eles chegam a noite, descarregam o carro já na garagem, tomam um banho, fazem um lanche e vão dormir.
Em torno da 1h00 da madrugada, Gonçalves, que tem o sono leve, acorda com um barulho de metal estalando. Ele senta rapidamente na cama...
– O que foi? Pergunta sua esposa, após acordar assustada.
– Calma – diz ele fazendo sinal de silêncio – vá para o banheiro sem fazer barulho e chame a polícia.
Ele desce as escadas sorrateiramente, pega uma ferramenta de lareira, o gancho, que está no caminho, contorna o sofá e o balcão que divide a sala da cozinha e surpreende dois caras dentro de sua casa. O primeiro tenta atacá-lo, mas ágil devido aos treinamentos, ele esquiva e com um contragolpe rápido, usando o gancho, ele acerta o pescoço do oponente, que cai morto no chão. O segundo tenta sair fugir pela janela arrombada, mas ele o puxa, aplica um golpe e o meliante antes de ir ao chão bate com a cabeça na quina da pia de metal e também morre. Havia um terceiro, que estava no lado de fora, que percebeu o que estava ocorrendo. Tentou fugir em direção ao muro por onde tinham entrado. Gonçalves usa o banco como trampolim e salta pela janela indo atrás do ladrão, que tem dificuldade para escalar o muro e é facilmente cercado pelo dono da casa.  O ladrão pega uma pedra e atira. Gonçalves desvia e com isto dando espaço para o bandido fugir. Porém, o proprietário atira o ganho nas costas do larápio e este cai na piscina. Gonçalves diz a ele para sair e se entregar, mas ele nega. Então, Gonçalves recua dois passos e corre em direção da piscina saltando com os dois pés sobre o ladrão que bate com a cabeça na escada. Ele desmaia com o rosto para baixo. Gonsalves, implacável, o deixa para morrer.
Após a chegada da polícia e da perícia, os corpos são removidos e o policial conversa com os donos da casa.
– O ”modus operandis” desta gangue é atuar em casas vazias – Disse o policial.
– Por que vieram aqui então? – Pergunta Clara, esposa de Gonçalves.
– Certamente, eles devem ter rondando a casa durante a semana e não vendo movimento resolveram atacar sem saber que tinham chegado.
– E o que faremos agora? – pergunta Gonçalves
– Amanhã o delegado vai falar com o senhor. Já são conhecidos né? Como certeza será para arquivar o processo. Afinal, foi legítima defesa.
– Não tem perigo ficarmos aqui? – Pergunta a esposa.
– Não minha senhora. Pode ficar tranquila. Esta gente atua em pequenas gangues. E pelo jeito, o seu marido acabou com esta. Porém, uma viatura ficará por aqui e dando voltas na quadra em pequenos intervalos.
Apesar de não haver mais perigo, a noite do casal não é tranquila, mas eles adormecem.
No dia seguinte, Gonçalves vai à delegacia e é liberado. Então ele faz os orçamentos de alarme e vigilância, opta por um e contrata o serviço e retorna para capital.
Dias depois ele é surpreendido com uma intimação para comparecer com sua esposa na delegacia no Balneário das Pinhas. Ele foi no dia seguinte mesmo tendo uma semana para isto...
– Pô Pacheco que palhaçada é esta?
– Calma Gonçalves. Cadê a Clarinha?
– Lá em casa. Quero resolver entre nós. Ela está muito nervosa com a situação toda.
– Eu vou ter que tomar o depoimento dela.
– Pacheco, os caras estavam dentro da minha casa. Foi legítima defesa.
– Gonçalves, se dependesse de mim, tu nem estarias aqui. Estes vagabundos tiveram o fim que mereceram. O problema é que o cara que morreu na piscina.
– Problema? Eu não me lembro de ter convidado ele para nadar.
– Não precisa ser irônico. É que o moleque era menor.
– Menores roubam e até matam, um delegado deveria saber disto.
– Pô meu irmão! Tá me tirando? Claro que eu sei disto. O fato é que o cara estava morto dentro da piscina e desarmado. Os outros dois tudo bem, eram fichados, estavam dentro de casa onde tem facas e outras coisas, mas o piá, nem pedaço de pau tinha. A perícia não pode falsificar documento e sempre tem um filho da puta para avisar os direitos humanos.
– Então é isto. O D.H. está te pressionando a abrir inquérito.  Saquei tudo.
– Bem por aí.
– Quer dizer que se os caras me pegassem dormindo, me enchessem de porrada e estuprassem minha mulher, eles iam ter um julgamento justo, ganhar auxílio bolsa e ainda sair em pouco tempo por bom comportamento. E o menor, nem preso seria. Que circo hein Pacheco?
– Amigo, eu não tenho culpa. A coisa vem de cima. Colabora, vai ter dor de cabeça, mas depois tudo esfria. É só por causa dos babacas dos Direitos Humanos.
– Devo procurar um advogado?
– Eu procuraria, apenas para não ser pego de surpresa, inclusive porque a comissão destes merdas vem aí. E eles querem falar contigo e com a Clara.
– Puta que pariu! Só me faltava esta agora. A Clara não viu nada. Eu disse para ele se fechar no banheiro e ligar para vocês.
– Eu sei, mas ela estava na casa.
Dias depois...
– Bom dia!
– Bom dia! Sr. Gonçalves?
– Sim.
– Martina, dos Direitos Humanos.
– Eu sei. Entre!
– Não queres ver o mandado?
– Não precisa. Fique à vontade.
Após Martina inquerir os donos da casa e ver onde os dois primeiros bandidos morreram ela pede para ver a piscina.
– Então foi aqui que o senhor travou uma briga corporal com a vítima.
– Espera aí minha senhora. Está havendo uma inversão aqui. A vítima sou eu. E o seu protegido não veio aqui para nadar. Nem para me convidar para um churrasco.
– O senhor não precisa ser tão sarcástico.
– Foi a senhora quem começou.
– Pois bem, a piscina não foi mais usada?
– Não! Ainda não desinfetei.
– Estou tentando esclarecer o caso. O senhor pode e deve colaborar.
– Para mim está esclarecido. Eu defendi a minha vida e da minha esposa e meu patrimônio. Não sei se sabe, mas algumas destas “vítimas” maltratam idosos e até põe fogo nas casas.
– Não era o caso destes.
– E a senhoria queria o que? Que eu fizesse uma entrevista?
– Já vi que não tenho mais nada a fazer aqui.
– Sim! Acho que não.
– O que é aquilo dentro da piscina?
– Não sei. Não tinha reparado. Vou pegar o coletor de folhas.
Ele busca o coletor e resgata um punhal.
– É uma faca – disse ela – é sua?
– É um punhal. Nunca a vi. Não toque! Vou chamar o delegado. Ele chamará a perícia.
Dias depois o delegado Pacheco chama a Martina dos Direitos Humanos e Gonçalves para esclarecimentos.
– Bom! Eu chamei vocês aqui para esclarecer o incidente na casa dos Gonçalves. O punhal que foi achado na tua piscina é do meli... quer dizer, do menino que morreu. Tinha as suas impressões digitais.
– O senhor tem certeza disto? – Pergunta Martina.
– Sim, senhora! O garoto tinha uma ampla ficha, inclusive agressão corporal com facas. Ele não era nenhum inocente. Queres ver o laudo? – e ele entrega para ela.
– Então ele queria me furar – falou Gonçalves.
– Sim. Tiveste muita sorte, ou habilidade vai saber. Acuado na piscina, ele não hesitaria em usar o punhal.
– Tá! E o que se resolve agora? – Pergunta Gonçalves.
– Só resta encerrar o caso, se a senhora concordar, dona Martina.
– É! Acho que seria perda de tempo levar adiante. A sociedade não entende que estes jovens precisam de apoio e não de punição.
Gonçalves sorri e diz:
– A sociedade é muito cruel né. Coitadinho destes jovens que arrombam a casa dos outros para poder sobreviver. Quantos deles a senhora já adotou e levou para sua casa?
– Boa tarde senhores – ela se levanta e sai resmungado.
– Quer dizer que eu tive sorte mesmo. O piá poderia ter me furado.
– Sim Gonçalves! Tiveste muita sorte, mas a sorte de eu ter um grande amigo na perícia que já teve a casa arrombada cinco vezes.
– Como assim?
– O punhal não tem as impressões digitais do moleque.
– Não estou entendendo nada.
– Simples meu amigo, o punhal era do meu amigo da perícia. Ele deixou cair quando foi fazer o resgate do vagabundo. Ficou meio sem graça e não disse nada. Daí eu aproveite e pedi para ele cometer um engano no laudo do punhal.
– Nem sei o que dizer.
– Não precisa dizer nada amigo. Uma mão lava a outra. Tu livraste nossa praia de três vagabundos. Eles realmente eram um inferno. Incendiavam, quebravam faziam o diabo. E pior que eram lisos, escorregavam entre nossos dedos. Assim, nos livramos deles.
– Mas isto não é muito legal – falou Gonçalves rindo.
– Não! Não é, mas realmente sabe-se lá o que eles fariam se pegassem vocês dormindo. E se o moleque tivesse uma arma ele a usaria. Os antecedentes são verdadeiros. Eu não vou deixar uma recalcada que nunca foi assaltada querer mandar na minha cidade.
Os dois caiem em gargalhadas quando a senhora Martina volta assusta e diz:
– Delegado. Fui assaltada e levaram meu carro. 

25 comentários:

  1. Querido Cláudio, essa é a pura realidade. O direito de ir e vir, é dos bandidos.
    Parabéns!
    Beijo!

    ResponderExcluir
  2. Cláudio , que absurdo!
    Nossas leis precisam mudar, não podemos mais continuar desta forma, não temos mais tranquilidade nas ruas, nas nossas casas, somos sempre alvo de bandidos, menos infratores, que são protegidos pela lei do nosso país!
    Que sorte ter encontrado o punhal, do contrário, tudo ficaria meio complicado!
    precisamos votar em alguém que possa nos amparar pelo menos, pois estramos nas mãos de bandidos literalmente falando!
    bjus e bom final de semana!
    http://www.elianedelacerda.com

    ResponderExcluir
  3. Real como la vida misma es una pene pero es así. Un Fuerte ABRAZO

    ResponderExcluir
  4. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!... SE TODOS QUE FAZEM PARTE DO COMITÊ DOS "DIREITOS HUMANOS", PASSASSEM POR SITUAÇÕES BEM DESAGRADÁVEIS NAS MÃOS DESSES "JOVENS ADOLESCENTES NÃO COMPREENDIDOS", SERÁ QUE AINDA EXISTIRIA ESSE TAL "DIREITOS HUMANOS? BEIJOS CLAUDIO!!!... PARABÉNS, ADOREI!!!...

    ResponderExcluir
  5. Gostei muito do história! Quando apareceu uma "ferramenta de lareira" já gostei! Com a "quina" então! =D

    ResponderExcluir
  6. Olha mais uma das suas obras.....deveia ter um livro com
    todas elas, mas é assim bandidos demolidos e história que
    acaba bem..graças ao punhal

    Abraços de boa noite e até a próxima

    Bjusss
    Rita

    ResponderExcluir
  7. e tá assim mesmo
    a nossa realidades é essa
    Linda Noite
    beijokas da Nanda

    Mamãe de Duas
    Google+Nanda

    ResponderExcluir
  8. Muito boa história, e quanta verdade. Estamos vivendo o caos nesta sociedade que mais nos assusta do que reage. Boa tarde meu amigo e abraços.

    ResponderExcluir
  9. Olá,Boa tarde,Cláudio
    ...o fato é que estamos vivendo cada vez mais presos em nossas próprias casas, e os bandidos soltos, livres para cometerem seus crimes, sabedores que podem ainda, serem beneficiados pelas "Martina, dos Direitos Humanos"...é preciso que esta situação mude... para que possamos trabalhar ou ir à nossa casa de veraneio, tranquilamente. A população de bem já foi desarmada... então, ou fazemos cursos para se defender ( apesar que dizem para nunca reagirmos) ou teremos que torcer para a sorte ... todos os arrombamentos serem frustrados, pois o bandido continua armado e cada vez, mais bem armado. ...
    Obrigado pelo carinho,belos dias,abraços!

    ResponderExcluir
  10. Bom dia Claudio.
    Um texto mostrando a realidade da sociedade de onde vivermos, como costumo ser sincera serei, mesmo achando que a minha opinião não é intendida por muitos. Já fui assaltada inúmeras vezes, uma estava ate armada legalmente é claro, mas não reagir , acho que toda a vida é vida, não podemos andar por aqui fazendo justiça com as próprias mãos, mas se tratado de fato de legitima defesa, logico que sou de acordo. Quanto ao responder pelos errados atos, acho que a maior idade penal deveria ser com 16 anos. Um abençoado dia.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  11. Triste que é a realidade, né?

    :/


    mas bem que poderia acontecer com esses "defensores" desses "pobres coitados dos ladrões" , o mesmo que aconteceu com a dona Martina!! rss Queria ver o quão esses seriam gentis!!!

    beijo!!

    ResponderExcluir
  12. É isso mesmo que acontece. Coitadinhos dos menores, sofrem tanto nas casas de custódia! Ficam pouco tempo lá, mas sem qualquer conforto. E saem como bons cidadãos, totalmente reeducados. Abraço.

    ResponderExcluir
  13. infelizmente essa é a realidade, os DH é para os bandidos não para os inocentes
    amei
    ** https://www.youtube.com/crisartigosfemininos **

    ** http://crisartigosfemininos.blogspot.com.br/ **

    ResponderExcluir
  14. E os menores continuarão sendo impunes? Sabem muito bem o que fazem. Talvez a prisão não seja a medida mais adequada a ser tomada, pois como são jovens, as chances de ressignificarem é maior que um adulto. Contudo, tem de haver uma punição e um posterior auxílio, psicossocial, por exemplo.

    Cláudio, desativei o face sim. Acho que ficarei um tempo sem aparecer nas redes sociais, rs

    ResponderExcluir
  15. OI CLAUDIO!
    ÉS UM MESTRE MESMO, COLOCAS EM TEU TEXTO DUAS SITUAÇÕES.
    DARIA PARA SÓ ELOGIAR O GONÇALVES E DEIXAR PARA LÁ, O SEGUNDO PROBLEMA, MAS, NÃO É BEM ASSIM, POIS,PROVAS FORAM FORJADAS, O QUE NÃO É CERTO TAMBÉM.
    ESTAMOS POR NOSSA CONTA, ENTREGUES A INSTITUIÇÕES FALIDAS.
    QUEM ENTRA EM UMA RESIDÊNCIA, PARA ROUBAR, MATA TAMBÉM E SE O FEZ, É BANDIDO, NÃO INTERESSA SE É MENOS OU MAIOR, TEM DE SE PUNIDO, COMO O ASSASSINO QUE É.
    MUITO BOM TEU TEXTO, COMO SEMPRE.
    ABRÇS

    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  16. A vida nem sempre é como deveria.

    Uma história para refletir.

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  17. Penso que semelhanças com a realidade não são mera coincidência. rs

    thoughts-little-princess.blogspot.com

    ResponderExcluir
  18. Oi Claudio!
    Bem... eu poderia escrever um texto enorrrme aqui e que com certeza seria desconsiderado, posso dizer apenas que a Mirtes Stolze falou por mim.
    Ser vítima de assaltos (vi meu pai com uma arma na cabeça quando criança num assalto a mão armada em frente da minha casa), minha irmã recentemente apanhou na rua por causa de uma porcaria de um celular que nem smartphone era, não desejo a morte dessas pessoas, no entanto, eu acho que a mentalidade da sociedade em geral e principalmente, as falhas gravíssimas na educação que nos levaram aonde estamos agora.
    Sim, somos reféns. Sim, isso é revoltante.
    Mas a vida humana continua sendo de propriedade de Deus e não nossa.
    Legítima defesa só em último caso, pois o mais seguro é nem reagir.
    E também acho que a maioridade penal devia baixar para 16 anos, afinal, se um indivíduo pode votar e dirigir, é porque já tem ciência dos seus atos.
    No demais, um texto muito bem escrito, com um desenrolar bem interessante (discordo das provas forjadas, não creio no mal vencendo o mal e sim o bem vencendo o mal) e que nos prende do início ao fim.
    Excelente narrativa.
    Parabéns!
    Beijos e um excelente final de semana.

    http://colunadami.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  19. Oie Claudio =)

    Infelizmente essa é a nossa realidade =/
    Mas, eu ainda tenho esperança que um dia as coisas serão diferentes.
    Ótimo texto!

    Beijos e um ótimo final de semana;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


    ResponderExcluir
  20. Vivemos em uma sociedade cheia de erros e furos. E o maior deles está na base, na educação e na desigualdade. Sou a favor de tentar a recuperação em praticamente todos os casos, exceto quando é fato que já é irreversível, mas eu sou otimista. Ainda acho que vale a pena mudar algumas pessoas e que não respondemos violência com violência.
    Eu também teria feito o possível pra defender a minha família, mas sempre lamento ver situações tão extremas, sabe? Sou meio maternal, eu queria poder mesmo abraçar o mundo e que situações como essa nunca acontecessem.

    Um beijo
    www.reinodascoisas.com

    ResponderExcluir
  21. Oi, Claudio!
    Pode ter sido um "dimenor" que assaltou a agente. Que ironia do destino! Ainda tem gente que não quer que seja diminuída a maioridade penal...
    Beijus,

    ResponderExcluir
  22. Interessante seu texto.
    A que ponto chegamos! Um caro matou outros três, ou seria morto. Vidas não valem mais nada.

    ResponderExcluir
  23. Que legal, um dom de escrever realmente invejável...

    http://menteaberttatextos.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir