Quem
me conhece sabe que há anos atrás eu fui transferido para a maior cidade
brasileira, São Paulo. Sabe também, que não sou mais gaúcho por falta de
espaço. Nada contra os paulistas, tão pouco contra os nascidos em outros
estados. Apenas que muitas pessoas têm suas raízes e eu tenho as minhas. Apesar
de não gostar de chimarrão e de não usar bombachas, tenho orgulho de ser gaúcho,
mas que barbaridade tchê.
Bueno!
Acontece que eu comecei a sentir o peso da transferência quando sai do hotel
pago pela empresa e aluguei um AP tri legal¹¹. Até aí nada de mais, né? Porém,
foi nesta data que eu transferi o meu carro para Sampa. Assim, peguei minha
primeira tranqueira. Ah! Engarrafamento é como chamam aqui. Bom, faz parte,
precisava me adaptar. Apesar de ser Porto Alegrense dos bons eu fui me
acostumando.
Então¹²,
então não, logo, certo dia ensolarado eu fui almoçar no shopping. Na volta fui
surpreendido por uma chuvarada repentina, coisa muito normal em Sampa. Então,
putz de novo não – respira fundo – aí eu tive que comprar meu primeiro
guarda-chuva paulistano. O tempo foi passando e por política da empresa
trocaram o número do meu telefone para um da área 011. Confesso que perdi
momentaneamente minha identidade, mas me recuperei logo. Afinal é só um número.
