domingo, 29 de dezembro de 2013

Ano Novo

Enfim, o fim do ano.
Começam agora as tradicionais frases: “Como este ano passou rápido” ou “Este ano voou” entre outras. Tudo que foi dito no ano passado como se o ano tivesse menos que 365 dias.
As pessoas correm no shopping para comprar roupas com as cores do ano porque acham que terão mais sorte no ano novo.
Ainda tem aquela simpatia de pular as ondas e a de colocar a cédula de maior valor no calcanhar.
Sem falar naquela comilança e “bebelança” que evitaram o ano inteiro para tentar ficar em forma e agora chutarão o pau da barraca.
Entretanto, o que mais me intriga são as festas de fim de ano das empresas. Os caras ficam se comendo o ano inteiro como gladiadores lutando por um prato de comida e na festinha da empresa se abraçam se beijam como se fossem os melhores amigos e parceiros de longa data. Bah! Eu não aturo isto e também não entendo por que.
Vejam bem... 31 de dezembro para 1º de Janeiro não é a mesma coisa que 31 de março para 1º de abril e outros meses?
Pessoal é só um dia depois do outro. É dormir e acordar no dia seguinte. O que se renova? Que esperança poderemos ter? Eu não acredito nisto.
Então para que soltar fogos por isto?
Desculpe-me se estou demostrando mau humor e pessimismo. É o que penso.
Bom, hoje eu gostaria de escrever um texto maior, mas vou ficando por aqui porque o réveillon é daqui dois dias e se este ano voou imaginem dois dias, que é o tempo que eu tenho para encomendar as bebidas, o porco, o peixe, o carvão, a lentilha, pois sei que dá sorte. Ahh! Passa de uva também é bom para entrar o ano.  Vou me esbaldar.
Preciso também vender um relógio para arrumar uma cédula de R$ 200,00 para colocar no calcanhar e ainda pesquisar na internet quais são as cores do ano para ir no shopping comprar.
O tênis eu posso economizar.
Para que o tênis?
É para não perder o dinheiro quando eu for pular as sete ondinhas enquanto vejo os lindos fogos.
Ai, que saudade dos parceiros do meu antigo emprego.

Feliz Ano novo. Que venha um 2014 cheio de prosperidade para todos nós. 


domingo, 8 de dezembro de 2013

Protesto

Hoje não vou publicar nem um conto, tão pouco uma ironia política ou qualquer coisa costumeira ou semelhante ao que já publiquei aqui.
Hoje o post é de protesto.
Quando fui divulgar minha última postagem “Por que, Marisa?” no Facebook, eu tive que digitar aquelas letrinhas chatas que dizem ser antispam. O fato é que ninguém gosta disto, que se chama Captcha. Inclusive tenho aqui uma campanha contra esta verificação de palavras nos comentários dos blogues.
Mais tarde, minha amiga Sol Tamalyn, do blogue Vídeos da Sol,  me avisou que ao clicar no link que postei, o Facebook em vez de abrir a página do Histórias, estórias e outras polêmicas direcionou para outra dizendo que ele, o Facebook, achava que meu link era suspeito, pode isto?
A Sol me falou que quando acontece isto é porque alguém marcou uma postagem como spam.
Engraçado é que eu só publico em grupos de divulgação, perfis autorizados de amigos ou no mural de alguém que tenha algo a ver com o tema. E ainda, faço as postagens uma por uma e apenas uma vez em cada local. Logo, trata-se de uma grande sacanagem.
Eu queria descobrir quem foi o filho de uma malabarista de bolsa que fez esta palhaçada.
Estou anos luz de ser um Luís Fernando Veríssimo ou Alexandre Dumas, e nem tenho esta pretensão, mas vejo que meu blogue tem aumentado as visitas a cada mês e os comentários sempre são de carinho e elogio. Para um anônimo, isto não deixa de ser um sucesso. E um sucesso causa admiração em pessoas esclarecidas, as quais sou plenamente grato, mas provoca calafrios e inveja em mentes fracas.
Eu já tentei avisar o Facebook de que não se trata de Spam. Porém, acredito que infelizmente terei que conviver com este esterco do Captcha e as pessoas que acessarem meu blogue pelo Face terão sempre que clicar no “Não é Spam”.
O ruim desta brincadeira de mau gosto do filho da mãe parideira de 20 filhos sem saber quem são os pais é que muitas pessoas ficam com medo de continuar achando que é vírus e não prosseguem deixando assim de visitar o blogue.
O mais irônico disto tudo é que o Facebook acata a denuncia do filho da executiva do sexo sem diploma sem investigar ou questionar e já vai limitando.
Vi várias reclamações de que esta rede social anda censurando coisas ridículas, mas nada ainda tinha acontecido comigo.
Nunca pensei que ia dizer isto: Ai que saudade do Orkut.
Quem quiser visitar o meu blogue via Facebook, não se assuste. Não é vírus e por favor clique em "Não é Spam" quando for direcionado para esta página.
Quem sabe de tantos dizerem que confiam no H. E. e O. P. possa tudo voltar ao normal.
Acredito que há muito mais pessoas boas do que más.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Por que, Marisa?

Por que, Marisa? Por quê?
Lembro, como se fosse hoje, daquela balada que eu a conheci. Você chegou sozinha com seu vestido vermelho, balançando seus cabelos loiros com grande habilidade para desviar dos assédios. Foi até o bar, pediu uma vodka. Ignorou todos os homens que se aproximaram. Eu fiquei olhando de longe, pois não me achei melhor do que eles, mas ai você me olhou, deu um sorriso e piscou. Eu me aproximei e lhe dei um beijo de cinema. Você quase desmaiou nos meus braços. Eu disse que você era a mulher da minha vida e você disse que me desejava. Saímos direto para minha casa. Você se entregou como se me amasse loucamente. E eu te amei alucinadamente como se fosse a última vez.
Falamos sobre nós, em continuar, ter planos.
Você queria muito. Seus olhos brilhavam.
Por que deixou eu me apaixonar se não queria fazer o mesmo?
Por que deixou as coisas chegarem a este ponto?
Eu te levei a sério desde o primeiro momento que a vi.
A partir daquele dia nunca mais nos separamos.
Sete anos passou, Marisa.
Fizemos planos, viajamos. Estávamos felizes. Tínhamos uma vida pela frente.
Marisa! Você queria me dar filhos. Que ilusão é esta? Que mãe seria você?
Por que você tinha que estragar tudo, Marisa? Que tipo de pessoa é?
Eu nunca a sufoquei, nunca tive crise de ciúmes. Nunca maltratei você.
Tinha uma vida de rainha. Nada lhe faltou. Teve amor, carinho dedicação, liberdade.
O que mais queria?
Que tipo de vida você desejava levar?
Não entendo como tudo aconteceu. Estou sem chão, me sinto um perdido.
Jamais poderia imaginar que o resultado daquela balada seria este.
Você destruiu minha vida.
Acabou comigo.
Eu abri as portas da minha casa, da minha família, do meu coração.
Durante todo este tempo fez juras de amor.
Disse-me que só existia eu na sua vida.
Isto nunca foi verdade.
Não consigo entender mais nada deste mundo.
Para mim era um casamento feliz.
Que mulher é esta que chega com jeitinho de anjo e por trás é um monstro?
E ainda pior, no que você me transformou?
Agora, você e sua amiguinha, nuas, atiradas em cima da nossa cama, e eu aqui com esta faca cheia de sangue.
Por que, Marisa. Por quê?

domingo, 24 de novembro de 2013

Verão chegando

Fumacentos
Estamos praticamente a um mês do verão e como é de praxe, em cidades litorâneas, os veranistas chegam para a preparação de um delicioso veraneio na sua aconchegante casa de praia. Logo, inicia-se um ritual com limpeza, as vezes pintura, e como não pode faltar o corte da grama. E é justamente sobre isto que eu quero falar. Alguns contratam profissionais para este serviço. Estes levam a grama embora e jogam em algum lugar apropriado. Beleza! Outros resolvem eles mesmos curtirem a aventura e depois, acumulam a grama em um canto, ou colocam na churrasqueira, esperam secar e tacam fogo. O pior é que tem gente que nem espera secar fazendo com que sua fogueirinha crie mais fumaça. O que este pessoal não se dá conta, ou é filho de uma mãe profissional do sexo e se dá, é que a maldita fumaça vai para algum vizinho que nada tem a ver com isto. Há pessoas com alergia, com asma, bronquite e etc. E não só isto, o cheiro incomoda demais. É um absurdo. “Entretanto, para que eu vou me importar com a minha fumaça, né? O vizinho que se ferre. Quero resolver o meu problema e me livrar do capim”. Pois é, já procurei alguma lei que proíba isto, mas não achei. Se alguém puder me ajudar eu aceito, apesar de que as prefeituras fazem vistas grossas.
Eu odeio fumaça, e não falo de churrasco cujo cheiro é diferente, é tortura, mas é gostoso. Agora, capim, folha seca e papel velho ninguém merece.
Então, faço um apelo a você que é apenas descuidado e não um filho de uma mãe sexualmente ativa com vários parceiros por dinheiro, que não ponha fogo no capim e assemelhados. Coloque em sacos e deixe para o lixeiro levar. Lembre-se, capim cortado não é poluição, queimado é, e das bravas.

Caninos
Há pessoas, que no veraneio, ao verem os cães de rua rondando a sua casa por sentirem o cheiro do churrasquinho, ficam com pena e os adotam. Tratam, dão carinho e comida, mas quando acaba o verão largam os bichinhos na rua novamente e vão embora. É melhor que os deixem na rua para aprender se virar. Pois criam vício nos coitadinhos que depois ficam perdidos e muitas vezes morrem. Pior ainda se forem filhotes, pois estes ainda não têm o instinto vira-lata. Não estou dizendo para não dar comida e nem água. Podem fazer este ato humanitário, ou melhor “caninitário”, mas não os adotem se não tiverem a intenção de levá-los consigo. Deixe um pratinho com comida e um potinho de água do lado de fora. Assim eles se viram pela rua e não terão o gostinho de ter tido uma família e depois serem abandonados.
Ainda tem aqueles filhos de uma mãe trabalhadora na zona, que cansados de seus amigos fiéis, os deixam na praia achando que terão mais chance de sobreviver. A estes burros e desalmados, eu aviso, que seu cão não tem a mesma resistência que um cão de rua. Logo, se você ama seu cachorrinho, mas não pode mais ficar com ele, procure uma ONG ou alguém que queira. Nas ruas há terrenos baldios com muitas bactérias, pulgas e carrapatos que matarão seu amiguinho por falta de tratamento, sem falar que, por não estar acostumado a andar solto, ele pode ser atropelado ou ser muito machucado em uma briga de cães que andam em matilhas e são territorialistas.
Abandono de animais é crime. Lembre-se disto.

domingo, 17 de novembro de 2013

Encontro no aeroporto - Final


Desde o dia da despedida no aeroporto, Lívia e Fernando não se viram mais.
A instalação de telefones ficou mais acessível pelo aumento da qualidade das operadoras naquela época. Entretanto, os contatos foram diminuindo. Como Fernando estava casado, não poderia telefonar, tão pouco  receber ligações em casa, mas eles tinham o número um do outro para alguma emergência.
Todos que conheceram a história deles, nunca entenderam porque não ficaram juntos. Poderia ser a falta de coragem ou alguém ter dado o primeiro passo. A grande verdade é que ambos eram muito jovens e não quiseram largar tudo que tinham e mudar para uma cidade estranha passando a conviver com alguém que conheciam apenas por carta ou telefone. Os momentos juntos foram muito restritos e eles tinham a consciência de que apesar de deliciosos não eram o suficiente para se arriscarem com os compromissos do dia a dia de uma vida.
O casamento de Fernando não vingou. Ele jamais esqueceu Lívia.
Outros negócios fizeram ele voltar a cidade dela. Tentou um contato, mas ela não quis encontrá-lo. Alegou que estava em um relacionamento fixo e promissor e não queria arriscar-se por uma aventura. Ele não teve tempo de dizer que estava separado e, apesar da notícia ter sido um choque, entendeu e não a procurou mais.
Durante 20 anos, Fernando sempre ficou com as lembranças daquela única noite de amor. Ficava se perguntando como estaria ela. Pensava em ligar, mas desistia.
– O telefone não deve ser mais o mesmo. Ela deve estar casada.
A dor dele era ainda maior porque sua empresa havia sido vendida para uma multinacional e ele transferido para a mesma cidade de Lívia e com isto a sua tortura aumentava por estar bem mais perto e não poder fazer nada.
O que ele não sabia é que Lívia havia tentado um contato por telefone, e claro aquele número já era de outra pessoa. Então, ela enviou uma carta.
A carta só não foi devolvida porque o casal que morava na casa percebeu que Fernando era o antigo morador. Portanto, entregaram a mesma para imobiliária que administrava o imóvel que por sua vez levou-a para os pais de Fernando.
Em uma de suas vistas a seus pais, Fernando recebe a carta e fica intrigado com o que lê.

Fernando,

Espero que esteja bem.
Não quero atrapalhar sua vida, mas por favor me ligue.
O número é ainda é o mesmo.
É urgente.

Lívia.

Ao ler a carta, desejou ligar na mesma hora, mas pensou que seria melhor falar depois que retornasse de viagem.
E foi o que fez.
– Lívia! Sou eu Fernando.
– Fernando – com voz trêmula – há quanto tempo?
– Pois é! Como estás? O que queres falar?
– Eu tentei te ligar, não consegui, por isto mandei a carta. Espero que eu não tenha te atrapalhado, mas é muito importante.
– Estou separado há muito tempo. Não atrapalhou nada, e você? Casada?
– Isto não importa agora. Eu preciso de um favor.
– Pode dizer.
– Uma pessoa vai te procurar. Escute tudo o que ele tem para te dizer. Por favor, trate o bem. É meu filho. Eu não estou mais em condições de falar.
– Espere! Eu estou morando na mesma cidade. Eu posso te ver.
– Que ironia. Tão perto, mas não quero, entenda. Dê o novo endereço.
Dois dias depois o filho de Lívia procura por Fernando e eles se encontram. A surpresa foi tão grande que o rapaz de quase 20 anos além de também se chamar Fernando era muito parecido com ele. E de fato, era seu filho. Lívia o escondeu para não atrapalhar a vida de Fernando. Porém, revelou a verdade porque estava muito doente e queria corrigir o erro que permaneceu cometendo durante todo este tempo. O filho sempre cobrou da mãe notícias do pai e ficou sabendo quem era apenas quando ela ficou enferma.
Fernando não sabia se ficava feliz pelo filho ou triste por saber que a pessoa por quem ele nutriu 20 anos de um amor sufocado estava muito doente. Logo agora que o encontro era mais possível, pois estavam mais maduros e sem compromissos que os atrapalhavam e ainda descobriu um forte elo para toda vida, Lívia poderia estar a beira da morte. Fernando, após se recuperar rapidamente do choque, abraça o seu filho e diz que nunca mais ficará longe dele. E ainda diz que não se conforma com a doença de Lívia e que vai ajudar.
O orgulho de Lívia nunca permitiu que ela pedisse ajuda a Fernando. O seu relacionamento, que ela falou 20 anos atrás, também não durou e ela criou o filho sozinha com muita dificuldade.
Neste momento da vida, Fernando estava bem financeiramente. Assim, ele conseguiu pagar um tratamento de saúde para Lívia dando a ela mais chances de recuperação.
Enfim, casaram!
Viveram juntos por 8 anos. Então, Lívia faleceu.
Fernando e o filho tiveram uma relação mais de amigos do que de pai para filho.
Fernandinho, por obra repetida do destino, conheceu uma moça no aeroporto e casou-se com ela dando a Fernando um casal de netos.

domingo, 10 de novembro de 2013

Encontro no aeroporto - o retorno.

Enquanto Fernando aguardava a decolagem e pensando no beijo que poderia ter dado, Lívia retornava para a casa com lágrimas nos olhos por um sonho não realizado.
Dias passaram e o contato continuou. A troca de cartas voltou e os telefonemas diminuíram.  Lívia não fazia declarações de amor, mas deixava parecer que quando se encontrassem de novo ninguém os atrapalharia.  Fernando sonhava com este momento.
Um dia surgiu uma nova possibilidade de se verem em outra conexão que Fernando deveria fazer na mesma cidade. Entretanto, as trapalhadas do controle aéreo impediram o encontro. Lívia ficou no aeroporto esperando em vão com os olhos lacrimejados e Fernando saiu de um avião direto para o outro com um aperto no coração. 
Não tiveram nem chances de se verem à distância.
Deitada ali, trêmula de um frio que não vinha da janela aberta, corpo desnudo envolto numa fina camada de saudade e em belos lençóis de mil flores coloridas, por entre os lábios entreabertos escorria um fiapo de sorriso misturando-se ao cor de rosa já manchado do seu batom. Os traços de sua face mesclavam-se no que em palavras não pode ser descrito, mas há quem diga que trazia um ar de pura melancolia escondido pelo rubro sangue que lhe tingia, sem pudor, as maçãs do rosto. Nos cabelos escondia a noite que por sua vez inundava o travesseiro como um rio interminável, com ares de sonho, num tímido resplandecer de astros. Por trás das pálpebras cerradas ia escondendo seu olhar de chama e o reflexo estampado dos desejos.
Desejos que não pode realizar. Outrora lhe faltou coragem, agora oportunidade, mas finalmente surgiu o dia que eles se encontrariam outra vez.  Desta vez os negócios de Fernando eram na própria cidade de Lívia.
Ela já esperava a aeronave pousar. Ele impaciente com a mala que não aparecia na esteira.
Enfim o reencontro.
O beijo aconteceu. Foi um beijo doce e tranquilo como um marido chegando do trabalho e cumprimentado carinhosamente a esposa.
O compromisso de Fernando não lhes permitiu mais tempo. Ficou tudo para a noite.
E a noite chegou.
Foi um jantarzinho romântico sem muita sensualidade. Os dois aguardavam tanto por aquele momento que estavam com vergonha um do outro, embora a vontade estivesse explodindo pela pele de ambos.
Passearam de mãos dadas, trocaram beijos e abraços e então foram para o hotel de Fernando.
Ao chegarem, deixaram romantismo do lado de fora da porta. A sede de Fernando por Lívia e vice-versa passou por cima de qualquer etiqueta, ética e padrões da sociedade. O que interessava naquele momento era o desejo ardente que um sentia pelo outro.
O deslizar imaginado e sutil daquelas mãos ia sentindo-se queimar, mas sem arder, fazendo-se paixão. 
Ora esquecia-se do ar, outrora o tomava de uma só vez.
Ela deixou de lado o sorriso e entreabriu os lábios para um beijo profundo até a alma sentir-se beijada, até sair e voltar de si e roubar-lhe o ar, até desfalecer de uma só vez e poder por fim revelar, sem pudor, no dilatar das pupilas a urgência de se entregar.
Ele queria sentir a febre daquele toque na sua pele, desmanchar-se entregue aqueles lábios e mãos, do roçar a nuca, de beijar os seios, o ventre e encaixar as coxas nas suas, do sussurrar de segredos lindos e indecentes, do cravar os dentes, as unhas, dos gemidos e suspiros
Amaram-se como dois amantes que não se viam há anos.
Entregaram-se um ao outro liberando o desejo reprimido do primeiro encontro.
Lívia não poderia ficar a noite toda, pois sua vida pessoal não lhe permitia. Fernando dormiu sozinho com uma sensação de vazio.
No dia seguinte, novamente a despedida no mesmo fatídico aeroporto. Porém, desta vez, apesar da saudade que já surgira, as lágrimas, a tristeza e aquela sensação de arrependimento por não terem avançado além de suas fantasias foram trocados por um sorriso.
Após este dia, apesar de não terem ficado juntos, a vida de ambos nunca mais foi a mesma. Lívia separou-se e tocou sua vida independentemente enquanto Fernando rompeu com a noiva e casou-se com outra pessoa.
Há quem aposte que quando eles se encontrarem novamente todo o passado será revivido, mas isto é estória para outra hora, ou para outro aeroporto.


PS: Os trechos com a fonte escura, eu peguei emprestado da obra "Refém por querer" da minha querida amiga escritora Mayra Borges do blogue Era outra vez: Amor, que eu recomendo.

domingo, 3 de novembro de 2013

Encontro no aeroporto


No início dos anos 70 uma carta chegou erroneamente à casa de Fernando. Procurou o destinatário, mas em vão, pois nas redondezas em que residia, ninguém conhecia a pessoa que deveria receber a correspondência.
Achando que era obra do destino, abriu o envelope e verificou que havia uma foto de uma linda jovem. O texto continha palavras amáveis que o comoveram.
Após ler a carta várias vezes, ele não hesitou em responder explicando a situação e comentando que tinha achado tais palavras muito bonitas. Então, pediu para se corresponder com a autora, Lívia que, prontamente, achando interessante, passou a comunicar-se com ele.
As cartas eram freqüentes e, por elas, a troca de carinho foi aumentando. Um era o ombro do outro devido aos problemas individuais que enfrentavam.
A vontade de se conhecerem era enorme e aumentava a cada dia. A possibilidade de telefonemas era remota, pois ambos não tinham telefones. Naquela época a telefonia não dispunha de muitos recursos e tecnologia.
Lívia era casada e Fernando noivo, mas eles tinham algo em comum, a infelicidade. O casamento de Lívia estava em decadência já há algum tempo. Não tão menos decadente estava o noivado de Fernando cujos princípios não o permitiam que desse fim ao compromisso devido à relação dos familiares.
Apesar do controle de ligações telefônicas que tinha na empresa, onde Fernando trabalhava, surgiu a primeira ligação. Ele conseguiu ligar para um comércio onde Lívia tinha relações de amizade. Ela havia enviado uma carta com uma semana de antecedência avisando que lá estaria na hora marcada. Com muito carinho eles se trataram, mas não fizeram promessas. O compromisso de cada um parecia um empecilho para sonhar mais alto.
As cartas já não eram mais suficientes. Eles precisavam ouvir um ao outro, então os telefonemas aumentaram.
Um dia chegou a oportunidade de se verem. Em uma das conexões aéreas que Fernando fora obrigado a fazer na cidade em que Lívia morava, marcaram um encontro. Ele aguardava no restaurante do aeroporto, enquanto ela para lá se dirigia. Seus passos eram rápidos em meio a tanta gente naquele lugar. A ansiedade era evidente e as pessoas entrecruzavam seu caminho impedindo-a de chegar mais rápido. Tanto tempo ela esperou por aquele encontro. Enquanto andava, seus pensamentos levavam-lhe a lembrança das cartas trocadas. Eles se conheciam há tanto tempo, foram tantas confidências compartilhadas, tantos beijos sonhados.
Enquanto se aproximava do local de encontro seu coração batia muito depressa e ela pensava em seu íntimo:
– Será que terei coragem?
Fernando olhava o relógio a cada instante se perguntando:
– Por que ela não aparece? Onde andará? Dará tempo?
Ela subia as escadas às pressas. Passou por um corredor que nem era tão grande, mas que parecia interminável até que, ao longe, o viu sentado a uma mesa. Os passos aceleraram ainda mais, até estarem frente a frente. Abraçaram-se como amigos que querem ser amantes e uma tímida conversa iniciou. 
A música era suave e Lívia meio à distância podia sentir o perfume dele. Ele não teve dúvidas de que ela era a mais linda e interessante mulher que já viu na vida.
Em vários momentos ensaiaram um beijo, mas estavam presos às convenções. Compromissos assumidos anteriormente os impediram de liberar tanto desejo.
Olhos curiosos não os deixaram à vontade. Parecia que todos os presentes percebiam que seus sentimentos estavam para explodir e eles só tinham olhos um para o outro.
Deram-se as mãos, conversaram, olharam-se com muito carinho, mas a lembrança do que os esperava em casa, impediu de terem maiores intimidades.
Não se sabe quanto tempo passou. Não deve ter sido muito mais do que uma hora até ouvirem aquela voz feminina no autofalante anunciando o voo de Fernando.
Mal se conheceram pessoalmente e a despedida era inevitável. Porém, bastaram alguns instantes para saber da importância de um na vida do outro.
Caminharam até o local de embarque. Os corações pulsavam fortemente enquanto pensavam nos beijos que gostariam trocar e promessas que gostariam de ter recebido. Entretanto, apenas um abraço muito forte aconteceu. Abraçaram-se como quem não vai mais se ver. Eles não queriam mais sair dali, mas a voz insistia para que se apressassem.
Ela ficou parada, acenando, vendo seu amor partir. Não teve coragem de fugir das regras e convenções ainda que por um único beijo. A distância aumentava e ele levava consigo o gosto de um beijo que nunca foi trocado.  E ela ficou ali com as lágrimas correndo. Seus lábios carentes com o gosto de uma despedida doída. Seu amor partia e ela o via ir embora, como quem olha a vida através de uma janela.
Como já era costume, juntaram seus próprios pedaços porque a vida os esperava. O tempo não para, e eles tendo que continuar sem ao menos parar pra chorar sua dor, voltaram a suas rotinas.

domingo, 27 de outubro de 2013

Onde estou?

Que dor de cabeça.
Não sei o que faço aqui.
Não lembro de nada.
Nossa! Que porre.
Não devia ter bebido tanto.
Que lugar apertado. Não consigo me mexer.
Que teto é este?
Nunca vi esta luminária.
Por que será que não consigo levantar?
Que barulho.
Que choradeira.
Quanta gente! E gente que nunca vi na vida.
Minha mulher? Por que me olha deste jeito? Por que chora desesperada?
E este palhaço, por que a abraça?
Eu sei quem ele é. É o ex-namorado dela. Que canalha!
Quantas pessoas me espiando.
Curiosos idiotas!
Que graça tem vir até aqui e dar uma olhadinha? Agora virei atração?
Já sei! Estou no hospital. Devo ter entrado em coma alcoólica.
Pessoal! Estou bem, já passou foi só um porrinho.
Droga! Não me ouvem. Será que estou em coma?
Que sensação ruim.
Que cheiro de flores. Odeio cheiro de flores.
Que saco será que não vão embora e me deixar descansar?
Eu quero uma aspirina!
Minha mulher não para de chorar. E este cara não sai do lado dela.
O pior é esta gravata apertada. Gravata? Nunca usei gravata.
O que está acontecendo? Estou ficando maluco?
Por que este padre apareceu agora?  Por que estão rezando?
E esta tampa? Por que a tampa? Por que vão me fechar? Não, Não!
Que escuro ficou. Para aonde estão me levando?
Agora me lembro de tudo.
Será que o seguro cobre o estrago do carro?
Bem, acho que agora não importa mais.
Como é frio aqui.

domingo, 20 de outubro de 2013

Moral da História

Durante muito tempo Júlio cercava uma moça, que lhe dava mole, mas não deixava oportunidade. Toda vez que ele a convidava para sair, ela dava uma desculpa.
Até que começaram a sair. No início foi como amigos e depois rolou uns beijinhos, mas não passou disto.
Sempre que a coisa estava esquentando ela dizia:
– Está tarde, preciso ir para casa.
Júlio ficava louco. Entretanto, logo pensava no ditado “a paciência é uma virtude”.
Eles saíram muitas vezes, mas a relação não foi para frente por motivos que não conheço. Ele sempre a deixava na porta do prédio e não subia porque ela não permitia. Por Júlio, todas as oportunidades seriam aproveitadas. Cada encontro, minuto, oportunidade de um beijo, um abraço, e claro, fazer amor, o que com ela o coitado não sabia o que era.
Certo dia, tiveram uma conversa romântica e muito carinhosa ao telefone. Desta vez foi ela quem demonstrou todo o seu carinho, lamentando o fato não ter dado muito certo por não estar preparada.
Depois de muita conversa ela pediu licença porque ainda tinha que preparar um doce para o chá de panela de uma amiga no dia seguinte. Alguns minutos depois ele recebeu uma mensagem no celular perguntando:
– Você tem uma lata de creme de leite?
Imediatamente ele ligou para ela dizendo que não tinha, mas que poderia buscar no supermercado, e estaria em 30 minutos na sua casa. Ela agradeceu muito, mas não quis dar trabalho e também porque já era muito tarde, logo deixaria o doce para o outro dia. Ele perdeu uma grande oportunidade de vê-la ou, quem sabe, algo mais.
Moral da história: Sempre tenha uma lata de creme de leite em casa.

Rogério, recém-mudado de moradia, foi no churrasco da turma do trabalho.
Participou das brincadeiras, jogou sinuca, cantou no videokê, entre outras coisas se divertiu demais.
Ele é dotado de um charme todo especial. Tinha um dom com as mulheres e é muito bom de paquera.  Porém, naquele dia o que ele queria mais era beber e comer muito.
Na verdade, foi o que ele mais fez.
Tomou um sorvetinho para injetar uma glicose e começou a ter reações esquisitas no estômago. Logo, viu a necessidade de ir para casa. Como foi de carona com um amigo que já tinha ido embora, chamou um táxi e se mandou a francesa.  
Ao entrar no prédio, percebeu na porta do elevador uma mulher segurando uma pizza. Ela era linda, maravilhosa, de outro mundo. Ele a cumprimentou e foi correspondido. Subiram juntos e por coincidência saíram no mesmo andar. Coincidência maior ainda, eles foram para o mesmo lado até as respectivas portas e se deram conta que eram vizinhos lado a lado.
Sorriram e ele falou:
– Vizinha! Prazer, Rogério.
– Prazer, Natália. Vai ter pizza, está a fim?
Ele pensou em tudo aquilo que ingeriu e no efeito que já estava fazendo, então, com medo de passar vergonha, respondeu:
– Desculpa. Estou vindo de um churrasco.
Eles se despediram e ele correu para o banheiro.
Naquela noite ele nem dormiu direito. Ficou a noite toda pensando naquela gata. Resolveu que iria convidá-la para sair. No entanto, descobriu, no dia seguinte, que ela tinha se mudado e ninguém sabia para onde ela tinha ido.
Moral da história: Não te empanturres em um churrasco, poderá ter uma pizza esperando por ti.

domingo, 13 de outubro de 2013

SUS e o Plano de Saúde


Não sei se em todo o Brasil, mas na cidade onde estou morando encontro, nos prontos atendimentos, cartazes dizendo que o cartão do SUS deve ser apresentado mesmo por quem esteja usando plano particular. Eu fiquei pensando e até cometi uma injustiça achando que o local estaria querendo cobrar de ambos, mas repito, fiz uma injustiça porque esta hipótese não procede. Isto porque questionei a administradora do meu plano sobre este assunto.
A explicação é simples: O governo quer fazer um batimento das pessoas que têm plano de saúde e usam o SUS.  
E para que o governo quer isto?
A resposta é mais simples ainda.  Querem repassar os custos para as administradoras no caso de atendimento pelo SUS das pessoas que tenham plano de saúde.
Agora vamos as especulações:
O SUS não é um direito de todo cidadão brasileiro?
O plano de saúde não é um benefício particular para quem quer ou pode pagar?
Podemos considerar sim nas duas respostas, pois não se trata de opinião pessoal e sim de lei e fato.
É claro que alguns serão a favor do governo nesta questão. Porém, cabe perguntar a OAB, isto é legal?
Alguém com plano de saúde usar o SUS onde o seu benefício tem cobertura é muito pouco provável.  Então, vou dar um exemplo mais plausível.  A praia que frequento por exemplo não tem unidades atendidas pelo meu plano de saúde, aliás, só tem o posto de saúde. Logo, quando necessito de algum atendimento de urgência é necessário usar o SUS.  O custo deste atendimento quem arca, todo mundo sabe, é o governo. Entretanto, com esta medida que estou relatando, o custo vai para a administradora do plano de saúde.  
Não estou preocupado com a administradora, tão pouco sendo pago para falar disto, mas podem acreditar que este fator vai ser uma boa e grande desculpa para aumentarem o valor das mensalidades e o governo nada vai fazer para impedir. Ou seja, além do sistema de saúde do Brasil ser uma merda, ups eu não queria dizer isto, deixa eu refazer, uma bosta, ainda pode prejudicar quem paga caro por um plano de saúde fazendo-o pagar mais caro ainda.
Está mais do que na hora do governo ter medidas que ajudem o povo e não ações enganosas que tapam a cabeça e descobrem os pés.  O SUS, o calcanhar de Aquiles de todos os governos, é uma grande oportunidade para qualquer um fazer a diferença. Ninguém está dizendo que será fácil, mas sim de alguém pelo menos tentar. No entanto, é mais fácil mascarar o problema com medidas que são aplicadas, desde que eu me conheço por gente, do que resolver.
A carga tributária deste país é um peso enorme no bolso do povo. E os tributos deveriam ser para termos hospitais, escolas, estradas ou seja desenvolvimento.
E o que temos?
Políticos corruptos, mordomias para parlamentares com salários altos, assessores diversos etc.
A corrupção corre solta e o que não é abafado tem oportunidade de um novo julgamento de quem foi condenado. O Brasil já não tem mais vergonha e há anos que vivemos em um circo de 8,5 milhões de Km².
O povo não quer mordomia e sim qualidade de vida com moradia descente, emprego, justiça, saúde e educação.
Queremos que um título de copa do mundo seja um complemento e não a solução.