domingo, 16 de março de 2014

A chuva, a pizza e o banho

Chove torrencialmente, eu em casa e ela na rua.

Eu caminho de um lado para outro preocupado com meu amor.

Como estará ela entre estes raios e trovões?

Então eu a vejo, toda molhada e despenteada.

Corro para a porta, abro-a e deixo meu amor entrar.

Dou um sorriso e digo:

– Que bom que você chegou, eu estava preocupado.

Ela devolve o sorriso e diz:

– Que tal você fazer uma pizza enquanto eu tomo um banho?

– Um pedido seu é uma ordem.

Eu já sei de cor qual o sabor preferido dela, peito de chester com catupiry e manjericão.

Como sou um cara prevenido, eu tenho tudo em casa.

Monto a pizza muito rapidamente e vou espiá-la no banho.

Este é um show que não posso perder, mas não me julguem. Ela sabe e gosta de se exibir para mim.

Levo meu banquinho e por causa do blindex embaçado vejo apenas sua silhueta.

– Já chegou – disse ela.

– Sim, meu amor. Você sabe que não perco isto por nada deste mundo.

Então ela começa.

Limpa o blidex e desliza o sabonete sobre o seu corpo num show de sensualidade.

– Ai que inveja deste sabonete – eu digo.

– Não fique, sua hora vai chegar.

Eu me deleito com seu sorriso e gestos. Cada movimento demonstra uma sensualidade impar.

Como é linda o meu amor.

A vontade que tenho é de invadir o box com roupa e tudo e abraça-la, beijá-la e etc. Entretanto, além de carinhosa e sexy, ela é também sádica, porque adora me torturar, pois basta eu ameaçar invadir, ela diz sorrindo:

– Não se atreva.

Ela sabe que com este sorriso ela consegue o quer de mim. É uma arma mortal a qual ela usa com plena maestria.

Finalmente ela sai do banho. Ignorando a toalha, senta no meu colo me molhando todo e me rouba um beijo gostoso, que eu já devia estar acostumado, mas cada dia é outro dia e cada beijo é outro beijo.

Daqui para frente faço a pausa. Deixarei vocês curiosos.

Algum tempo depois...

Voltei apenas para responder a pergunta que sei que não quer calar.

A Pizza? Sim, estava deliciosa, mas acho que desta vez ela foi secundária.

 

Esta é uma obra de ficção, qualquer coisa diferente fica além da sua imaginação.




domingo, 9 de março de 2014

Racismo, diga: TO FORA!

Eu já tinha um post pronto e agendado para hoje, mas devido aos últimos acontecimentos acho que tenho que falar alguma coisa, mesmo que já tenha abordado este assunto em Cotidianos – Preconceito punido B.U.E.S.T.A.
E hoje, diferente das outras vezes, não vou arrumar paliativos para palavrões devido a tamanha seriedade do assunto.
Todo árbitro de futebol tem duas mães, a que eles veneram, respeitam e amam, que são aquelas que ficam em casa rezando para que dê tudo certo para eles, e tem as putas, que são as que eles levam para dentro do campo. Entretanto, etnia é uma só. Portanto, é desumano chamar um árbitro de macaco só porque ele é negro. 
Chamar de filho da puta, mesmo que ele não tenha feito nada de errado, embora não seja nada respeitoso, faz parte do folclore do futebol. Afinal, tanto faz o juiz ser branco, negro, indígena, nipônico e etc, ele sempre será um filho da puta. Porém, associá-lo a um animal por causa de sua cor de pele é racismo e isto é crime.
Eu comento isto, porque esta semana um senhor negro, o Marcio Chagas, que apita no campeonato gaúcho, foi xingado de macaco, seu carro depredado e sujo com bananas. Isto vai além do futebol. É a perda total da razão e nada tem a ver com todos os erros que uma pessoa possa ter cometido.
Um juiz, como qualquer profissional, deve ser julgado pelo seu desempenho e nada mais do que isto.
Embora eu considere o Márcio um péssimo juiz porque já beneficiou o rival do meu time, que todo mundo sabe é o Internacional, mais de uma vez e com isto eu o ter xingando muitas vezes de filho da puta, ele tem toda minha solidariedade, porque como eu disse acima, ele deve ser xingado, mantendo a tradição é claro, pelos erros que cometeu e não pela sua origem étnica.
Os jogadores Arouca, esta semana no interior paulista, e o Tinga, poucos dias atrás no Peru, também sofreram o mesmo tipo de preconceito. Do Arouca eu acompanhei pouco e é um jogador que não tenho muito conhecimento, mas o pouco que sei, é um exemplo de atleta. Já o Tinga, apesar de ter crescido nas bases do rival, jogou no meu time duas vezes e se tornou um ídolo da torcida colorada e todos sabem que é um exemplo de dedicação.
No entanto, a questão aqui não é se o Marcio, Arouca e Tinga têm bom caráter ou não e sim que são seres humanos e ninguém tem o direito de julgá-los pela cor da pele.
Até mesmo um negro criminoso e assassino não pode ser chamado de macaco, pois se fosse não estaríamos ofendendo a ele, que merece todo o tipo de escorraça, e sim toda comunidade negra que nada tem a ver com os crimes de uma pessoa que é de índole ruim e não porque é negra.
Como eu disse outras vezes, há muitos bandidos loirinhos de olhos azuis.
Infelizmente, atos de racismo, que nada tem a ver com educação, pois se tivesse seria “mais fácil” combate-los, estão espalhados no mundo todo.
E o mundo precisa de mais atitude e menos papo. Isto inclui punições mais severas aos agressores ou interromper o espetáculo.
Já pensou se quando um atleta é xingado, todos os outros sentassem no campo até que as agressões terminassem?
Deixando o mundo e o Peru de lado, se não este post não terminará nunca, quero me resumir aos atos que estão virando rotina no futebol brasileiro.
Quando uma torcida faz uma gracinha com um árbitro ou jogador negro esquece que o maior jogador da historia mundial é negro e mesmo que tenha parado de jogar há quase 40 anos, o Pelé ainda é lembrado pelas suas jogadas e não pela sua raça, e também, jovens que nunca o viram jogar o admiram.
O que eu posso dizer para estes boçais que fizeram tais ofensas e também para aqueles que são racistas ou preconceituosas por qualquer motivo é que, ao contrário do que se acham, estes atos os colocam em uma classe fétida e inferior e que são os verdadeiros filhos da puta.

Sou branco, de família branca. Poderia fazer piada de tudo isto, ou não tomar conhecimento, pois não é “no meu”, mas eu sinto vergonha quando acontece uma coisa como esta.

“Eu trocaria todos os meus títulos por igualdade entre as raças”
                                  Paulo César Fonseca do Nascimento (Tinga)

domingo, 2 de março de 2014

Minhas azeitonas e o Rei

Eu tenho pouca restrição para comida.
Gosto de muitos pratos.
Os meus preferidos são Kibe, Lasanha, Strogonoff e Pizza.
Não gosto de Ervilhas nem de Azeitonas, a primeira ainda passa. Se tiver misturada na comida e não for muito, eu até como, mas a segunda, eca! Acho horrível. Quando inteira eu tiro de lado e mando ver, mas se quiser estragar meu paladar é só picar azeitonas e colocar em uma comida deliciosa como as citadas acima. Basta eu pegar um pedacinho, mesmo que minúsculo, naquele lugarzinho específico da língua que eu largo tudo e vou comer um sanduba, se é que vou comer alguma coisa.
As experiências não muito boas que eu já tive com este frutinho amargo e que me repugna, vou compartilhar com vocês, queridos leitores.
Na minha fase pós-adolescente* em uma das jantas que fui na casa de um grande amigo meu, o Aloísio, a querida mãe dele, Dona Alice, quem eu tenho o maior respeito, amor e admiração, fez pastéis. Eram tão suculentos que só de olhar já era o suficiente para babar. Eu peguei um e fui com tudo. Infelizmente mordi junto uma azeitona, cujo pedaço veio justamente para o lugar indesejado da língua. Fui do sonho gastronômico ao pesadelo. Tomei o copo inteiro de refrigerante para aliviar aquele desprazível sabor.
Ela percebeu a minha indelicadeza, mas o que fazer, foi mais forte do que eu. Pedi desculpas, mas como ela é um doce de pessoa, ainda ficou preocupada comigo e disse:
– Eu as coloquei inteiras. Isto ajuda?
– Claro! – respondi feliz. Cutuquei com garfo e tirei a intrusa, ou o que restou dela. A partir daí, passei a dar uma mordidinha de leve para localizar as alienígenas e tirá-las dos meus deliciosos pastéis. É lógico que não faltaram doidos para pegarem as indesejáveis do meu prato.
Uma das vezes que viajei a trabalho, pela extinta Vasp, na hora do lanchinho que parecia muito apetitoso, eu abocanhei o sanduíche. Azar o meu, pois estava cheio de azeitona picada. Não tinha nem como tirar. Estava tudo grudado na maionese. Larguei tudo e não comi mais nada. Eu queria saber o que passou pela cabeça da pessoa que preparou ou fez o menu. Nunca tinha visto isto. Não era nada normal colocar azeitonas picadas em sanduíche, e logo de avião. É! Naquela época eles davam lanches e dependendo do horário até almoço e jantar e só desta vez dei de cara, ou de boca com as peçonhentas.
A última péssima experiência que vou contar não foi tão grave porque vi antes. Na casa da prima da minha esposa, em Cafelândia - SP, uma senhora, amiga de minha sogra, se ofereceu para fazer uma receita com costela de gado. Eu já estava contrariado porque como sou gaúcho, costela eu como quando quiser, e digo mais, não é das minhas favoritas. E ainda por cima, a prima faria um salmão delicioso cuja receita ainda não tive oportunidade de provar. Porém, fazer o que? Não sou egoísta e a maioria queria a costela. Logo, o meu salmão bailou. Em uma das passagens pela cozinha eu vi a senhora abrindo um pote de azeitona e minha reação foi imediata.
– A senhora vai colocar azeitona?
– Só na farofa, por quê?
– Porque detesto – respondi na lata.
– Não tem problema eu tiro óleo.
Então, antes de qualquer indagação da minha parte, ela espremeu as meliantes largando o suco na pia e as jogou dilaceradas na panela.
Piorou – pensei – agora não conseguirei localizar as facínoras. Não sei o que ela pensou. Que parte de: “Eu detesto” ela não entendeu? É claro que da farofa eu fiz questão de não sentir nem o cheiro.
Bom! Eu contei tudo isto até agora para que vocês além de saberem que eu odeio azeitonas entendam o meu ponto de vista sobre o comercial do Roberto Carlos, cujo cantor eu reconheço a majestade, mas não pertence ao meu “idols´s club”.
Eu entendo que o comercial ficou esquisito para caramba e que a cara de nojinho do Rei ficou muito evidente, mas gente, o cara não pediu para fazer. Com certeza ofereceram a ele uma baba. E não sejamos hipócritas! Quem não queria estar no lugar dele ganhando uma alta grana para promover um produto mesmo que não gostasse?
Azar é do fabricante que deu esta bola fora.
Certamente alguns dirão: “Ele é podre de rico e não precisava disto”. Será? Assim como eu preciso de R$ 20.000 para trocar de carro, ele pode precisar de milhões para trocar de iate. Cada um vive com o seu luxo e suas limitações e explora as oportunidades que lhe aparece.
Se quiserem me dar 10mil para fazer um comercial de azeitonas, eu como todo vidro, não faço cara de nojo e ainda digo sorrindo "que diliça" . Imaginem milhões.

* Pós-adolescente – Nem sei se este termo existe, mas costumo usar para representar aquela época que a gente sai da adolescência e ainda não se considera um adulto. É entre 18 e 19 anos.