quinta-feira, 23 de julho de 2026

Copólatra em recuperação


Pois é, a copa acabou. E, como um copólatra assumido fico triste. Porém, acredito que devo ser um copólatra em recuperação porque não me empolguei tanto com esta copa, não. E não foi por causa da péssima atuação do Brasil. Em 1982, por exemplo, o Brasil teve a seleção considerada uma das melhores de todos os tempos, fomos eliminados antes da semifinal, mas eu continuei assistindo com empolgação.

 Teve copa que eu vi todos os jogos, inclusive aqueles que acontecem simultaneamente na última rodada da fase de grupos. Sim, eu coloquei uma TV ao lado da outra para sintonizar os dois canais. Teve outra que eu negociei com meu gerente da época para trabalhar a noite porque os jogos eram a tarde. Porém, nesta de 2026, foi a copa que menos jogos eu vi e também não comentei nas redes sociais como fiz em outras.

 Há muitas coisas a falar sobre esta copa. Entretanto, vou comentar o que acho relevante.

 Para começar falo do Neymar. E nada tem com cunho político. Quem ele vota ou deixa de votar é problema dele. O que eu queria é que ele entrasse, jogasse bem e marcasse gols. Já tem gente falando que o cara foi a maior decepção, mas vamos ser honestos? Ele jogou 38 minutos a copa toda divididos em dois jogos. Isto é menos que um tempo de jogo. Vai fazer o que neste pouco tempo?

 Quanto as seleções, torci para o Brasil, Colômbia e Portugal e Espanha.

 Mudando de assunto, eu não gosto de Copa que seja em mais de um país. Acho uma tremenda bobagem. É politicagem. Dois como foi Coreia e Japão já acho ruim, mas três é horrível.

 E por falar em três países, essa divisão só serve para escancarar o circo político que virou o torneio. Onde já se viu um absurdo como o Trump querer dar canetada para mandar anular cartão vermelho? E o que é pior, a FIFA covardemente acatou.

Futebol tem regra, tem juiz no campo e VAR na cabine, se um chefe de Estado começar a meter a colher para anular expulsão, é melhor transformar, de vez,  a copa num comício eleitoral.

 Outra coisa horrível é a possibilidade de suspensão de um jogo em atividade por conta das condições climáticas que em alguns estados é comum nesta época do ano. Eu até entendo a necessidade dos novos protocolos de segurança por conta das ondas de calor extremo e das tempestades severas que ocorrem. Mas a verdade é que os Estados Unidos não têm a menor qualificação para sediar eventos deste porte em estádios abertos. Uma parada forçada por tempo indeterminado destrói o ritmo de jogo, prejudica o condicionamento das equipes, desgasta os atletas e é um verdadeiro banho de água fria no espetáculo. Se a ideia era fazer um torneio nessas condições climáticas por lá, todos os estádios deveriam ser obrigatoriamente cobertos e climatizados para evitar e suprir esse tipo de revés.

 E, claro, não posso deixar de falar da arbitragem, que mais uma vez deu o seu show. A Argentina parece que joga com um regulamento próprio e um empurrãozinho extra da FIFA. O favorecimento acintoso contra o Egito já tinha sido difícil de engolir, mas o que fizeram contra a Espanha foi o cúmulo do absurdo. Fica difícil manter o entusiasmo de copólatra quando a impressão que dá é que o script já vem pronto antes mesmo do apito inicial.

Ainda bem que a justiça foi feita e “Y España ganó”.

Uma coisa que usaram nesta copa é que se a arbitragem de campo dá um escanteio que não foi, o VAR avisa para reverter. Porém, se for o contrário segue o baile. Acho errado e injusto. O argumento é que um escanteio é uma grande possibilidade de gol, logo, escanteio mal marcado seguido de gol é injusto.  Porém, uma falta perto da área também é perigo de gol e na copa de 2018 a França abriu o placar com um gol de uma falta mal marcada, e nada se fala, nada foi feito.

 Há uma solicitação da Federação Sul Americana, a COMEBOL, que o número de países participantes na copa do 2030 aumente de 48 para 64. Isto, sinceramente, achei sensacional. É uma oportunidade para mais países participarem.  Tomara que vingue.  Quem sabe assim, sobre uma vaga para a Venezuela, o único país da América do Sul, dos que têm futebol, que nunca participou de nenhuma copa. Eu torço por isto.

Haverá quem vai dizer: “Vai entrar muita seleção fraca”. 

Eu respondo: “Faz parte do pacote e ainda podemos ter uma surpresa positiva como Cabo Verde”.

           E depois, com 64 seleções acaba esta palhaçada de se classificar os 8 melhores terceiros. Aí, neste caso só passam para as eliminatórias o primeiro e o segundo de cada grupo.

            O ruim é que será em três países novamente, Portugal, Espanha e Marrocos e ainda com jogos comemorativos no Uruguai, Argentina e Paraguai, ou seja, teremos jogos em 3 continentes.  

            Eu faço as seguintes perguntas:

Se são jogos comemorativos de 100 anos de copa e a primeira copa foi no Uruguai, o que a Argentina e o Paraguai têm a ver com isto?

Quais os critérios para excluírem Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Chile e Equador?

 E para terminar, minha singela opinião para melhorar o futebol de forma geral, não apenas nas copas:

É ridículo os jogadores a bater um escanteio querer ganhar milímetros colocando a bola além da linha. Manda colocar da linha pra dentro pra acabar com isto.

Mais ridículo ainda é um jogador deitado atrás da barreira. Futebol se joga de pé. Tem que acabar com esta palhaçada.

Tem que acabar, também, com o papinho do Juiz no agarra agarra nas cobranças de faltas e escanteios.  Mete um amarelo logo, e se depois da cobrança se tiver agarra agarra marca pênalti ou falta.

Voltar a regra dos 6 segundos do goleiro. Não largou a bola dá tiro indireto. Aumentaram o tempo pra 8 segundos e mudaram pra escanteio, ou seja, diminuíram a pena e aumentaram a cera.

Se precisar do VAR pra saber se a ponta da chuteira está 0.001 mm mais a frente que o ombro. Considere mesma linha. Qual a vantagem o atacante leva nesta posição considerada impedimento?

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