Na semana passada eu
publiquei no Facebook um manifesto sobre a campanha “Somos todos macacos”
perguntando: – Será que os negros estão gostando?
Esta campanha surgiu em
virtude do episódio, que girou no mundo e todo mundo sabe, sobre o Daniel Alves
comer a banana que atiraram para ele em um estádio de futebol na Espanha.
Eu sei que é um assunto
pra lá de debatido, mas as minhas postagens são semanais, aos Domingos, e também
somente agora consegui me dedicar a este acontecimento.
Entretanto, vou
comentar antes sobre o infeliz vexame do presidente de um clube americano de
basquete, cujo nome não merece ser mencionado. Portanto vou chamá-lo de Sr.
Trouxa.
Para quem não sabe,
vazou para imprensa uma conversa telefônica do Sr. Trouxa com sua
ex-namorada onde ele diz a ela coisas bárbaras como não posar para fotos com
atletas negros e não levar negros para os jogos de seu time.
O técnico do seu time é
negro. Vários jogadores do seu time são negros. Ou seja, são os negros que dão
a ele o que ele precisa. É ou não é um Trouxa. E depois, sabemos que os maiores
ídolos do basquete americano são negros.
Se o cara é racista
porque se envolve com o basquete? Ah! Grana! Claro! Têm muita grana na parada.
Então, este filho de uma Maria Madalena não arrependida deveria ter mais
respeito com seres humanos que fazem todo o trabalho para ele poder contar
dinheiro.
Ele foi banido do
basquete e vai pagar uma multa caríssima. Pelo menos lá terminou em caviar e
não em pizza, mas deveria ter virado em quentinha na prisão.
Voltando a campanha brasileira...
Eu que sou branco não gostei, imagina os negros que sofrem bullying o tempo todo?
NÃO SOMOS MACACOS! Com
todo respeito aos símios.
Negros, brancos,
índios, nipônicos, etc, NÃO SOMOS! Nem os idiotas que atiram bananas no campo.
São trogloditas, “neanderthalensis”, imbecis, acéfalos, filhos de uma executiva
de esquina, o escambau, mas não macacos, até mesmo porque neste caso estaríamos
ofendendo os macaquinhos que nada tem a ver com isto.
Eu soube que foi ao ar,
no Altas Horas, no sábado daquela semana, uma entrevista com o Daniel Alves dizendo
que não gostou da campanha. Eu não vi o programa, mas vi a entrevista, no
Domingo pela manhã, que ele deu para o Galvão Bueno, que foi gravada bem antes
do jogo fatídico. O Galvão perguntou sobre o racismo no futebol e ele respondeu
simplesmente que:
– Está acostumando com
isto, pois há 11 anos, na Europa, vê este tipo de coisa.
– Ignora, porque não
quer dar ênfase ao racista. Dando proporções ao fato o racista se sente vitorioso. Ignorando, ele perde.
– Que para saber se a
pessoa é racista mesmo, é necessário ver a vida dela no cotidiano, que embora
ele não concorde e não defenda, a emoção no estádio fala mais alto e as pessoas
fazem coisas de momento.
Eu até posso concordar
com ele, mas acho que sua força interior é muito maior que a minha, pois ele
que sofre o ato e eu que tenho vontade de enforcar o filho de uma bela senhora
trabalhadora sem registro em casa noturna.
Neste mesmo programa,
eu também vi entrevistas de jogadores negros falando sobre o assunto e
percebe-se pelos seus semblantes que estão profundamente chateados, tristes e
abatidos. Eles se sentem humilhados mesmo podendo gastar mais de papel higiênico
do que os agressores ganham em uma vida.
Caramba! Isto deveria
ser triste para toda a raça humana.
O pior de tudo é que
tem gente que age desta forma e acredita em Deus. Pois bem, se Deus criou o
negro é porque ele tinha uma razão para isto, assim como criou as demais raças.
Eu acredito que é para nós aprendermos a viver com as nossas diferenças e que
cada ser humano ter o direito de fazer suas conquistas e buscar seus sonhos.
Já tem até gente
fazendo correr nas redes sociais que foi uma farsa e querendo até envolver
outras celebridades. Eu não acredito nisto. Não creio que o Daniel Alves,
titular de um dos times mais poderosos do mundo precise disto. E digo ainda que,
ao pegar a banana e comer ele deu um tapa de luva na cara dos cretinos e em
silêncio disse: “To cagando para vocês, seus otários”.
Parabéns Dani Alves,
sua atitude mostrou sua grandeza.



