Eu não sei por que a
palavra dentista, em muita gente, causa tremores, suor e arrepios.
Tenho
primos dentistas, todos ótimos, e minha dentista particular, a Fernanda, é
espetacular. É tão espetacular que eu consigo dormir enquanto ela me trata.
Entretanto,
a maioria das pessoas tem um medo horripilante que só se tratam em último caso.
Elas esquecem que os dentistas são pessoas normais. Eles são muito normais que
até medo têm de irem ao dentista.
Eu tenho um amigo muito
azarado, o Little Paul, que ao comer uma coxinha de galinha mordeu algo duro e
quebrou o dente que ficou pendurado. Ele foi ao consultório de sua dentista que
fica na mesma cidade em que mora, mas em virtude da agenda cheia, ela não
pode atendê-lo e marcou um encaixe para mais tarde. Como ele estava agoniado, com
muita dor e o dente entre meio preso e meio solto, não quis esperar. Assim, foi
a um pronto socorro dentário na capital onde foi atendido com uma limpeza e
medicamentos. Os doutores no plantão aconselharam-no a procurar um cirurgião para extrair o dente porque esta cirurgia
não poderia ser realizada no local, pois o mesmo não era apropriado para isto.
Então, o meu amigo procurou um cirurgião, mas nenhum deles que contatou tinha
horário para emergência. Ele não desistiu e continuou exaustivamente procurando
até que conseguiu uma consulta com um dentista em sua cidade. O Doutor pediu
para que ele fizesse um raio X em outro local porque o seu aparelho estava
quebrado. Little Paul desistiu e foi
para o pronto atendimento regional. Quando ele achou que ia ter seu dente
extraído e o alívio tão sonhado, sofreu uma decepção maior que a sua dor. Sua
pressão estava 14x10 e os plantonistas lhe negaram a extração. Indignado, ele
correu para casa, entrou rapidamente, foi até o banheiro – ups desculpe, toalete
é mais fino – abriu a portinha do armário violentamente e pegou o fio dental.
Calma gente, ele não foi se enforcar, apenas enrolou o fio no dente pendurado e
puxou com força fazendo ele próprio a cirurgia tanto sonhada sem gastar um
tostão.
No dia seguinte ele
contou sua aventura reclamando que era mais fácil contratar um matador de
aluguel do que uma hora no dentista. Pensei que ele teria contratado um para
“apagar” os dentistas que o fizeram sofrer, mas felizmente era apenas uma
metáfora.
A saga de Little Paul não
termina aqui.
Para não ficar
desdentado, ele passou a procurar uma clínica especializada em prótese. Desta
vez foi mais fácil. Ele marcou a consulta com facilidade, mas quando foi
atendido sofreu outra decepção. Soube que tinha ficado um pedaço da raiz e que
ele não poderia fazer o implante sem que a mesma fosse extraída.
Começaria toda a
peregrinação dentária novamente?
Estaria ele disposto a
fazer a via sacra odontológica?
Não! Desta vez ele
seria atendido prontamente. Sua heroína, a superdentista estava a sua espera. Epa!
Eu disse seria? Xiii! Pois é, devido a uma inflamação no local, ele precisou
tomar antibiótico por 10 dias.
É, Little Paul. A
brincadeira com o fio dental lhe custou caro.
Somando a gasolina,
passagens de ônibus e do Catamarã(*), consultas, remédio, ligações
telefônicas do pré-pago e os 20cm de fio dental dá o valor do churrasco
do fim de semana com carne nobre.
Depois de todo o
sofrimento e custos já contabilizados, Little Paul finalmente foi resolver o
problema dos restos dentais uma vez por todas.
Chegando a
consultório...
– Olá eu tenho um
consulta com a doutora Maria.
– Sabe que é. A doutora
precisou sair urgente.
– Ah não! O que houve?
– Ela comeu uma coxinha
de frango, quebrou um dente e tá procurando um dentista.
(*)
Catamarã – Barco que faz a travessia no Rio Guaíba entre Porto Alegre e a
cidade de Guaíba.
(**) Um abraço a todos os dentistas que cuidam da nossa saúde dentária e lembrem-se que eu os elogiei.