sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Desnecessidades



Adeus Ranilda
Começo a postagem da semana, com muito pesar, comunicando que a Ranilda(*1) foi encontrada morta em seu mais recente adotado habitat natural no litoral gaúcho, a minha piscina. A causa mortis é “cansaçus extremus”, ou seja nadou, nadou e de fato morreu na praia. A causa foi provocada pelo vírus “burricis tapadis”, pois por já ter tido usado a ilha flutuante da outra vez, ela deveria ter aprendido que era literalmente uma taboa da salvação.
Estou muito triste porque perdi a mascote e o futuro jantar.

Conflito desnecessário

Uma manifestação, com princípios pacíficos, que mobilizou centenas de pessoas para protestar contra a privatização de espaços públicos terminou em uma verdadeira batalha campal em frente à prefeitura de Porto Alegre no dia 4 de outubro.
O conflito iniciou quando alguns jovens resolveram furar o bloqueio policial, pulando as grades proteção, para danificar o Tatu inflável, símbolo da copa e patrocinado pela Coca-Cola.
A partir da invasão, começou a reação policial e ai o mundo inteiro sabe o que acontece.
O que mais me irrita nesta democracia de bosta é que as pessoas acham que podem fazer o que querem para depois reclamarem das consequências.
Não quero que pensem que eu estou a favor da Brigada Militar, pois sabemos que não é preparada psicologicamente e muitas vezes cometem abusos de autoridade. Não estou a favor e nem contra, mas tenho ciência que ainda há muito que melhorar. Entretanto, não podemos esquecer que eles são serem humanos, muito mal pagos e precisam manter a ordem, e contra qualquer ato hostil irão reagir. Eles também têm medo.
Não estou dizendo com isto que se deva dar a eles a licença para matar. Mas, eu já vi centenas de manifestações públicas, acompanhadas pela Brigada Militar, que terminaram da mesma forma que começaram, na paz.
Neste caso, no Largo Glênio Peres em frente à prefeitura de Porto Alegre, é claro que houve excessos. Mas, quando irão aprender que manifestações por mais pacíficas que sejam sempre são tensas e nem todos os participantes são “santinhos”. Ainda mais que na noite anterior já havia ocorrido um vandalismo contra um balão inflável da mesma patrocinadora em outro local.
Violência não leva a nada. Porém, em manifestações sempre há idiotas que provocam e são agressivos se baseando que têm direitos, e acabam colocando tudo a perder. Inocentes são machucados, as vezes mortos, porque depois que começa a confusão ninguém consegue parar. Os policiais não param de bater e quem realmente estava na paz reage. Vira uma guerra. 
Ninguém tem o direito de destruir algo só porque não gosta.
Quando vamos para uma manifestação, temos que ir na paz e não provocar. Podemos cantar, gritar as frases da manifestação, apitar, agitar bandeira e faixas. Quando passarmos pelos policiais não devemos olhar para eles ou fazer movimentos hostis e provocações, muito menos tomar as dores de vândalos ou provocadores.
A maior hipocrisia de tudo isto é que quando começar a copa, a grande maioria que participou deste conflito vai assistir, torcer e a cada vitória do Brasil vai comemorar nas ruas, e alguns ainda tomando Coca-Cola.

Princípios morais
Certa vez, em um restaurante, o garçom esqueceu de marcar um refrigerante na minha comanda.  Eu o chamei e avisei. Ele saiu agradecido ao mesmo tempo em que espantado por estar acostumado a levar calote. Mal ele se distanciou, um colega me repreendeu por eu ter deixado de ganhar um refri na marra. Eu respondi a ele que não seria honesto e me admirava em vê-lo falando aquilo, uma vez que ele sempre reclamava de “políticos ladrões”.
Ele voltou a me repreender falando que os “políticos ladrões” roubam milhões.
Então eu o silenciei com a seguinte frase: “Os políticos ladrões roubam milhões porque tem oportunidade de roubar milhões. Talvez eles tenham começado com a oportunidade de roubar um refrigerante”.
O fato é que minha vó sempre dizia que a “oportunidade faz o ladrão”. Logo, cabe a nós “aproveitar” a oportunidade ou não.
Então eu fico pensando: Nós votamos em corruptos, eles se tornam corruptos ou votamos em nossa própria imagem e semelhança?

Ficha suja

Eu já havia falado na crônica Democracia Infiel que esperava não haver jeitinho brasileiro no caso da ficha limpa, ou melhor, ficha suja. Mas, inocência minha comentar aquilo. Em várias cidades brasileiras, candidatos acusados de corrupção, que estão com recurso em julgamento, foram eleitos ou estão no segundo turno. Nestas cidades, o pleito terá que ser repetido caso os recursos destes candidatos a prefeituras sejam indeferidos.
O incrível neste país é que se meu CPF for parar no SPC, mesmo que acidentalmente, eu fico sem crédito até na padaria da esquina. Mas, os candidatos com o crédito político em baixa podem se candidatar.
Fico dividido quanto à nova eleição para prefeito. Por um lado acho correto anular, pois apenas invalidar a candidatura seria jogar todos os votos no lixo. Mas, por outro, seria o castigo que estes eleitores merecem por votarem em alguém que não esteja quite com a justiça. Mas, ai os candidatos que tiraram terceiro lugar em diante seriam muito prejudicados porque poderiam ter recebido mais votos se não fosse o suspeito.
Outra coisa que me preocupa é que não tem uma definição de como será o tratamento dos vereadores eleitos nesta situação. Como fica a legenda partidária? Também falei da legenda partidária em Democracia Infiel. Imaginem um candidato muito popular, como nosso querido Rouboerto Nemai(*2), mas com a ficha suja sob recurso.  Podemos imaginá-lo sendo o vereador mais votado, com uma quantidade expressiva de votos carregando com ele candidatos de menor votação por causa da legenda. Há corrente que defende que os votos anulados seriam apenas do candidato e não da legenda. Se isto acontecer, os candidatos caronas não perderão as cadeiras e possivelmente o suplente assumirá. Ou seja, muitos mesmo com a ficha limpa, se beneficiarão da popularidade de um suspeito de corrupção. Não concordo com nada disto e como os vereadores limpos não tem nada a ver com isto e uma nova eleição os prejudicaria, acho que simplesmente, o candidato ficha suja deveria ser anulado com todos os seus votos. Assim o partido perderia o ganho na legenda o que seria uma punição por usar o jeitinho brasileiro.
Nada disso acima seria necessário se a lei fosse mais objetiva e clara.
Mas, o que mais me incomoda é que teve vários casos de políticos envolvidos em escândalos votados pelo povo. Então para que julgamento do mensalão, Cachoeira e etc. se é a própria população que fornece a massa para a pizza?
(*2) Gravura ilustrativa em Democracia Infiel.

                                         


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Eu!



Não sei se esta crônica será divertida ou instrutiva. Porque hoje vou falar de um cara que pode ser considerado chato e sem graça, mas que para mim é uma pessoa espetacular e lindão: Eu!
Acho que, as pessoas que acessam meu blogue e não me conhecem, ou aquelas que me conhecem pouco, devem ter um mínimo de curiosidade de saber como eu sou. E como domingo é meu aniversário, “me dou” este presente, homenageando a mim mesmo. Entretanto, não vou colocar aqui meu currículo, mas se alguém se interessar, já que estou sem emprego fixo, é só me falar que mando por e-mail.
Eu sou casado e tenho dois filhos. Não gosto muito de expor a família na internet, sem bem que com redes sociais, mesmo com opções de restrição, sempre há alguma exposição. Também tenho três cachorros, Sultão, Lambrusco e Falua. E agora, a mais nova integrante da casa, a Ranilda, que é uma rã que de vez em quando vem usufruir da minha piscina. Ela entrava e não conseguia sair, logo, eu tinha que tirá-la. Hoje ela já tem autonomia. Eu coloquei um pedaço de madeira, tipo uma ilha flutuante, para que ela possa usar de apoio e sair. E não é que a danada aprendeu! Depois a mal agradecida some por um tempo sem telefonar, passar mensagens ou escrever no meu mural do Facebook. Já pensei em fazer um convite para jantá-la, mas ela ainda é meio magricela. Precisa comer muito mosquito antes de pular para minha panela. 


Voltando a mim...
Eu nasci em Porto Alegre no hospital Beneficência Portuguesa, que na época era um dos poucos da cidade. Minha família é de classe média. Eu já tive o padrão de classe média alta, mas nos últimos anos estou para classe média cada vez mais baixa. Choradeira a parte, eu tive uma infância muito feliz, uma boa estrutura e muito amor dos pais. Ocorreram as tradicionais brigas com irmãos, mais com minha irmã do que com meu irmão, por incrível que pareça, mas isto tudo não passou de amor de manos.
Eu fui criado em apartamento logo era fera em jogo de botão, War e Detetive, mas bolinha de gude e pião era e sou uma negação. Neste último eu nem sei enrolar a cordinha no dito cujo. E é até bom nem tentar para não ter o risco de furar o pé.
Naquele tempo, os computadores existiam somente em empresas e exigiam muito espaço. Videogame então, ninguém sabia que um dia existiria, nem mesmo Atari e Odyssey que apareceram quando eu já tinha uns 20 anos. Ah! Mas, tinha o Telejogo. Só os mais antigos sabem daquele aparelhinho preto acoplado a uma caixinha de madeira de tom marrom, com dois botões giratórios, que produzia uma imagem de fundo preto com linhas brancas e o som tuc tuc tuc conforme a bolinha ia e voltava.


Porém, em dois esportes de rua eu era bom. No futebol, onde eu não chegava a ser um craque, mas me destacava, tanto é que joguei na seleção dos dois colégios que estudei, e no jogo tacos. Neste, eu era o cara. Nunca perdi uma partida independente da dupla. As vezes, só para poderem ganhar, me davam um parceiro “mão de pau”, mas mesmo assim, não tinha jeito, o jogo era meu.
No colégio fui relativamente bem. Estudava o suficiente para ser aprovado. Peguei algumas recuperações, principalmente no segundo grau, hoje ensino médio. Porém, nunca repeti de ano. 
Movido pela emoção e influência da família, que tem médicos, no meu primeiro vestibular escolhi medicina. Não passei porque não estava bem preparado. Foi até bom, porque meu negócio é números, sempre gostei de matemática. Então fui aprovado em Análise de Sistemas no ano seguinte. Da minha turma, fui um dos quatro alunos que se formaram no prazo correto, em oito semestres.
Quanto às empresas que trabalhei, conforme falei mais acima, mando no meu currículo para quem interessar.
Meu time é o Internacional. Espero que eu não perca leitores por causa disto, mas prometo que não vou falar (muito) mal do time adversário. Melhor! Nem vou tocar no assunto.
Meus ídolos, tirando minha família, são Airton Sena, Guga Kuerten e P.R. Falcão. Meus atores preferidos são José Wilker, Sean Connery, Adriana Esteves, Claudia Abreu, Giovanna Antonelli e ela, a maravilhosa Angelina Jolie. Entre os filmes de minha preferência destaco Malícia, Risco Duplo e Dormindo com o Inimigo. Mas, em geral gosto dos tipos policial, mistério e suspense e claro 007 - James Bond, principalmente se for com o Sir Sean. Os filmes do último ator, aquele alemão sem graça, não gostei muito.
Eu gosto de músicas diversas, mas meus cantores são Shakira (suspiro), Fagner, e podem rir a vontade, Sidney Magal.
Os livros prediletos são: Conde de Monte Cristo e Admirável mundo novo.
Quando eu comecei a escrever e o por que, vocês  podem ler na minha primeira  postagem, O início.
A minha inspiração, coisa que muitos me perguntam, vem de tudo que é lugar. Histórias de amigos e as minhas próprias, brincadeiras, ideias tiradas de livros, filmes, novelas, claro que neste caso de cenas isoladas que geram outras ideias para não ser plágio. Elas vêm de acontecimentos e vontades como o Karaokecídio, e também, de outros desejos, opiniões, pedidos de amigos, frases e etc.
As ideias estão em todos os lugares que passamos ou frequentamos. O que conta é a criatividade e a inspiração para captá-las e depois desenvolvê-las.
Parece simples né? Mas é! Só que a pessoa precisa ter vontade e gostar de escrever.
Eu uso muito a técnica de misturar história com estória. É bom porque, além de mexer com a imaginação dos leitores, um acontecimento verdadeiro pode e dá inspiração para uma ficção. Mas, as “his” e as “es” também são contadas em particular. Eu também gosto de expressar minha opinião sobre assuntos atuais ou assuntos antigos que acho importante mencionar. E normalmente, este tipo de texto gera polêmica. Considerando todos estes estilos é que surgiu o nome do blogue.
A crônica que mais tem a cara do meu blogue é “Bater ou não bater eis a questão”. Não por ser a minha preferida, mas sim porque ela é uma mistura de ficção, realidade e confusão. A primeira parte é verdadeira, portanto uma história. Claro que levando em consideração a minha narrativa e não o que as minhas amigas me disseram, pois na verdade, elas estavam tirando uma onda com a minha cara. A segunda parte onde entra a Ritinha, é ficção, portanto uma estória. Para dar o troco na zombaria delas, eu mandei a primeira parte para o site de um escritor que publicou em forma de brincadeira. Mas, muitas mulheres não gostaram e reagiram negativamente gerando muita polêmica. Logo, esta crônica é a cara de Histórias, estórias e outras polêmicas.
Quem não leu eu recomendo. Aliás, recomendo todas. 
O ser humano é meio preguiço para ler. Mas, se fosse um vídeo comigo subindo em um poste com o traseiro de fora e nele pintado a bandeira do Brasil e ainda eu cantando esganiçadamente “para nossa alegria” aposto que eu ia ser recordista de acessos. Olha ai pessoal, não falei que as ideias estão em todo lugar. Quem sabe esta?
- O que meu amor? ...  Ah tá bom... Não não, estou só brincando.
Desculpe pessoal. Era minha esposa dizendo “menos querido, menos” .
Bom, acho que deu. Já sabem um pouco mais de mim.
Quem quiser saber mais é só perguntar.
Ah! E não esqueçam de mandar o e-mail para que eu possa enviar o currículo. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Democracia infiel



É muito complicado falar do tempo da ditadura militar. Há quem defende e há quem abomina. Porém, a palavra ditadura não é bem-vinda pela maioria porque ela agride tudo que se imagina de liberdade, e aqui no Brasil quando é tocado neste tema imediatamente é lembrado o período de 1964 a 1982. O que eu acho incrível é que muitos jovens se arrepiam e se alteram em falar daquela época em que nem eram nascidos. Eu era muito pequeno e não lembro bem do período crítico porque conforme foi passando os anos, tudo foi ficando mais ameno. Mas, estou consciente que foram cometidos muitos excessos e muita gente morreu.
Naquele tempo as eleições eram apenas para senadores, deputados, vereadores e prefeitos de cidades não estratégicas. Os presidentes, governadores e prefeitos de capitais, cidades de fronteira e hidrominerais eram nomeados.
Para manter a maioria no congresso, a situação inventou o senador biônico que ocupava um lugar no senado devido à nomeação com poderes iguais aos dos senadores eleitos pelo povo.
Existiam apenas o partido da situação, a ARENA – Aliança REnovadora NAcional, e o da oposição, o MDB – Movimento Democrático Brasileiro.
Com a anistia e o fim da ditadura, alguns políticos exilados voltaram e os partidos sofreram mudanças. A ARENA virou PDS com praticamente com todos os integrantes e o MDB colocou o “P” virando PMDB mantendo sua essência, porém perdendo filados para os novos partidos que se formaram PP, PDT, PTB e PT. O PP nem saiu das fraldas e voltou a fundir-se com o PMDB ficando então quatro partidos de oposição.
As eleições diretas faziam parte desta nova fase do Brasil, então a partir 1982 passamos a ter o direto de votar em governadores e prefeitos, mas não ainda em presidente cuja eleição só aconteceu em 1989.


Todo mundo sabe quem é Paulo Maluf. O que pouquíssima gente lembra e muitos nem sabem é que ele poderia ter sido o primeiro presidente civil do Brasil depois do regime militar. A primeira eleição para presidente após o golpe foi de forma indireta, em 1984, cujos eleitores pertenciam ao congresso nacional. O PDS tinha maioria, logo o presidente brasileiro não tinha como ser de outro partido mesmo que a oposição se unisse. Entretanto, ocorreram as prévias do PDS entre o candidato do então presidente Figueiredo, o Coronel Andreazza e Paulo Maluf da outra chapa. Ainda com resquícios da ditadura militar, na pesquisa de opinião a vitória de Andreazza seria esmagadora. Porém, como a eleição prévia foi fechada, deu Maluf de lavada. Isto fez com que muitos dos derrotados, por restrições ao Maluf, rompessem com o PDS fundando o PFL. Este partido novo se ofereceu para se juntar com a oposição desde que o candidato a vice fosse o seu líder José Sarney. Logo, o PDS perdeu a maioria e a esquerda, após 20 anos, conseguira colocar um presidente a frente da administração do Brasil. Conseguira? Não! Por uma fatalidade, o homem da conciliação opositora e eleito indiretamente, Tancredo Neves faleceu sem ao menos ter tomado posse e levando com ele as esperanças de muitos brasileiros. Assim assumiu o seu vice. A esquerda levou 20 anos para tomar o poder para em poucos dias devolvê-lo à direita.
O que podemos tirar de tudo isto é que se as prévias, método usado na época para ver o preferido da maioria do partido, fossem respeitadas, Paulo Maluf teria realizado seu maior sonho. Não estou dizendo que ele mereceria ter sido vitorioso ou não, e sim que se os políticos puxam o tapete deles mesmos, como nós poderemos confiar?


Depois vieram as eleições diretas e tudo que nos deixou felizes. Poder votar em quem quiser e liberdade de expressão era tudo que desejávamos. No entanto, de lá para cá presenciamos trocas partidos, corrupção ativa e passiva, criação de inúmeros partidos e a situação do país oscila entre progresso e regresso. A saúde degrada a cada ano, e analfabetismo funcional aumenta junto com a criminalidade.
Aí eu penso: Não estaríamos nós vivendo hoje em uma ditadura disfarçada?  O congresso vota o que quer e quando quer e um presidente seja bom ou ruim, depende de conchavos para poder aprovar emendas e outras coisas. Isto não nos faz reféns da vontade deles?
É muito comum ver que em algumas regiões os partidos fazem alianças e são os melhores amigos enquanto que em outros lugares ou a nível nacional são inimigos políticos e um quer ferrar com o outro.  Isto é moral?
 Estamos em ano de eleição e pouco acima falei que ganhamos o direito de votar. Na verdade foi forma de expressão. Não é questão de opinião e sim fato que temos que votar ou justificar. Poucos sabem que se não estiverem em dia com as obrigações eleitorais não poderão fazer concursos públicos ou tirar empréstimos em bancos estatais. Logo, tá mais que comprovado que o voto não é um direito e sim um dever.
Então eu pergunto: Por que esta obrigação? O voto não deveria ser de fato um direito?
Não acho que devemos fugir desta ”obrigação” que deveria ser moral e não legislativa, mas é hipocrisia uma eleição em um final de semana quente com debandada para a praia lotando os locais de votação dos munícipes, que nada tem a ver com isto, e acabando com os formulários de justificativa. Se há um meio de burlar a obrigatoriedade do voto, por que não ser facultativo?
Com certeza diminuiríamos os votos inválidos que seriam cometidos apenas por enganos ou revoltosos e teríamos uma eleição mais produtiva.
O que os políticos ganhariam com isto? Nada! Apenas que alguns não passariam pela humilhação de perder para os votos brancos e nulos. Mas, com certeza seria uma obrigação a menos para o povo que votaria com satisfação e não por exigência da lei.
Mas, em matéria de eleição outras coisas poderiam mudar para deixar o eleitor contente.
É sabido que o custo de uma eleição é altíssimo e quem paga isto somos nós. Então porque ter eleição de 2 em 2 anos? Por que não unificar todos os cargos em um só evento?


Alguém pode me dizer qual o benefício do candidato no horário eleitoral gratuito? Como um candidato pode mostrar seu valor falando apenas o nome e uma frase? Este recurso só serve para candidatos da prefeitura, governo, senado e presidência e olhe lá. E neste caso é muito melhor um debate, assim acabando com esta tortura.
Mas, o pior de tudo é a tal da legenda partidária. Para quem é leigo, a legenda partidária é a cota que um partido, conforme o número de votos recebidos, tem para colocar uma quantidade de políticos no cargo eletivo. Exemplo: Tiririca que votado por revolta ou por admiração, vai saber, carregou com ele candidatos que não tiveram votação expressiva e que passaram na frente de outros com muitos mais votos. Ou seja, tu votas em um candidato e pode estar levando outros que nem conhece ou que não são de seu agrado.
Há alguns anos uma integrante do PCdoB foi a candidata mais votada e não entrou na câmara de vereadores de Porto Alegre porque seu partido não fez votos suficientes. Reparem no que eu disse: Ela foi a mais votada, a campeã de votos. Não pode exercer o mandato porque outros candidatos entraram pela legenda partidária com bem menos votos do que ela. Isto é democracia?
Nas outras eleições o PCdoB teve que fazer coligações para poder classificar seus candidatos. Isto quer dizer, que são criados regras e jeitinhos para contorná-las.
Bom, pelo menos a ficha limpa foi aprovada. Só espero que seja executada e não arrumem mais um esqueminha para quebrá-la.