sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Amor de infância

As luzes do Parque dos Jasmins assumem a função do Sol que já começa a se pôr no horizonte pintando o céu com tons alaranjados.

No meio do vaivém de famílias e do cheiro doce de pipoca no ar, o pequeno Rodrigo, de apenas dez anos, sentia o peito apertar. Ele havia se afastado dos pais perto do lago e, agora, as lágrimas teimavam em cair.

– Você está perdido? – uma voz suave o desperta.

Rodrigo olha para o lado e vê uma menina da sua idade, com os cabelos desalinhados pelo vento e segurando um imenso algodão-doce rosa. É Letícia, que sem esperar resposta, estende a outra mão oferecendo parte do doce.

– Minha mãe diz que açúcar cura susto – diz sorrindo.

Aquele gesto simples muda tudo. Pelas  horas seguintes, enquanto os pais de ambos não aparecem na administração do parque, os dois se tornam inseparáveis. Correm pelos brinquedos luminosos, divertem-se no carrossel e terminam a tarde tentando a sorte na barraca de argolas. Como prêmio de consolação, ganham dois chaveiros de metal pesado, com seus nomes gravados de forma rústica.

A despedida é abrupta. Os pais de Rodrigo surgem aliviados, assim como os de Letícia. Sabendo que o tempo é curto e sem papel para anotar um telefone, Letícia tem uma ideia. Ela pega o chaveiro que tem o nome Letícia e entrega para ele, pegando para si o que tinha o nome Rodrigo.

– Para a gente nunca esquecer – ela diz, antes de ser puxada pela mãe.

Na semana seguinte, a família de Letícia muda-se para outro estado. O destino os separou geograficamente, mas o elo estava criado.

Os anos passaram. Letícia cresceu carregando aquele pedaço de metal para todos os lugares. O chaveiro com o nome Rodrigo tornou-se seu amuleto da sorte, preso à chave principal, embora o metal estivesse gasto e arranhado pelo tempo. Para ela, representava a inocência de um dia perfeito.

Rodrigo, por sua vez, guardou o chaveiro no fundo de uma gaveta de cabeceira. Na adolescência, os amigos começaram a zombar quando viram o objeto com nome de menina em sua mochila, o que o fez recolher a lembrança ao isolamento da gaveta. Mas ele nunca teve coragem de jogá-lo fora.

O reencontro acontece no campus da faculdade, no primeiro dia de aula,  em um corredor lotado, quando os dois se esbarram. Livros caem e pedidos de desculpas são ditos rapidamente e, por um breve segundo os olhos de Rodrigo cruzam com os de Letícia. Há um estalo silencioso, uma sensação familiar esquisita, mas a pressa do início das aulas os faz seguir em frente. Eles não se reconheceram. Os traços infantis tinham dado lugar às linhas da vida adulta.

Como o destino gosta de insistir, semanas depois, o professor de projetos os coloca no mesmo grupo de trabalho. A convivência forçada revela uma afinidade natural. Eles riem das mesmas piadas, pensam de forma parecida e a química entre os dois é evidente para qualquer um que os visse na biblioteca, embora ambos mantêm o foco nos prazos acadêmicos.

Em uma tarde chuvosa de quinta-feira, Letícia vai até o apartamento de Rodrigo para finalizarem a edição da apresentação do projeto. O ambiente é acolhedor, com o som da chuva batendo na janela e o aroma de café fresco preparado por Rodrigo.

Após horas concentrados em frente ao computador, o trabalho finalmente fica pronto.

– Conseguimos! – Letícia comemora, levantando-se da cadeira para pegar seu casaco no encosto.

Ao puxar a jaqueta, ela esbarra na própria bolsa, que está com o zíper completamente aberto. O impacto faz com que cadernos, estojos e maquiagens se espalhem pelo chão.

– Deixa que eu te ajudo – diz Rodrigo, agachando-se imediatamente.

Os dois começam a recolher os objetos. No meio da bagunça, o molho de chaves de Letícia escorrega para a frente, parando exatamente entre as mãos de Rodrigo.

O reflexo da luminária da sala bate no metal velho e gasto, revelando as letras gravadas que ele conhecia tão bem: Rodrigo. O coração do rapaz dá um solavanco tão forte que ele chega a perder o fôlego. Seus olhos se arregalam. Ele toca no objeto, sentindo o peso do metal idêntico ao que marcava suas lembranças.


Sem dizer uma única palavra, com o rosto pálido de choque, Rodrigo se levanta apressado e corre em direção ao quarto, enquanto Letícia fica estática, ajoelhada no chão, sem entender o motivo daquela reação repentina.

No quarto, Rodrigo abre a gaveta de cabeceira com força. Revira papéis antigos, objetos perdidos, até que seus dedos tocam o metal frio, e ele puxa o chaveiro.

Ao voltar para o corredor, ele caminha lentamente até Letícia e estende o braço abrindo a palma da mão. Ali, brilhando sob a luz sutil do apartamento, está o chaveiro com o nome Letícia.

Letícia olha para a mão dele e, em seguida, para o próprio chaveiro no chão. O quebra-cabeça de mais de uma década se encaixa em sua mente em uma fração de segundo. O Parque dos Jasmins, o algodão-doce, o menino chorando perto do lago. Tudo volta como uma enxurrada de luz.

– É você... – ela sussurra, com os olhos já marejados.

Rodrigo sorri, sentindo as lágrimas também preencherem seus olhos. Eles se levantam e, antes que qualquer explicação longa fizesse sentido, entregam-se a um abraço apertado, daqueles que curam a saudade de uma vida inteira. O abraço logo se transforma em um beijo terno, cheio de alívio e certezas.

O elo de infância que nunca havia se quebrado agora pavimenta o caminho para o futuro. Eles se reencontraram para nunca mais se separar, prontos para viverem felizes para sempre.



sexta-feira, 23 de outubro de 2026

De que adianta ter diplomas?

                                         


Diógenes, 40 anos, diretor executivo de uma multinacional, mantém seu corpo saudável indo à academia três vezes por semana. Ele é pontualíssimo para chegar ao trabalho.

Todos os dias de segunda a sexta as 7h45, com sua pasta de couro legítimo da marca Bellavorn, vestindo seu terno de alta costura feito pelo alfaiate mais requintado da Europa, o Domenico Vittoré,  ele passa na catraca do prédio, onde fica a empresa. Acompanhando as notícias em seu celular, ele ignora os funcionários que estão polindo o belo piso de mármore e o simpático Sr. Valdir, o porteiro da empresa, que lá trabalha há mais de 20 anos, sempre mantendo o bom humor e com seu terno muito simples, mas alinhado.

–  Bom dia Dr. Diógenes! Hoje vai chover viu? – Fala Sr. Valdir.

Diógenes advogado diplomado em Harvard com pós graduação em Oxford e especializações na USP e FGV considera o tempo precioso demais para ser gasto com trivialidades como cumprimentar funcionários.

Enquanto o elevador sobre até o 20º andar, onde fica a sua sala, se olha no espelho, ajusta o nó da gravata, passa um pente no cabelo e em um ato narcisista ele dá uma piscadinha para si próprio. No saguão pega um café na máquina e as 8h00 em ponto, sentado à sua mesa em sua grande sala, com o notebook ligado começa a conferir seus e-mails, mas antes dá um sorriso olhando os seus diplomas na parede.

Certo dia...

– Bom dia, Dr. Diógenes! Hoje vai esquentar, viu? – falou Sr. Valdir.

Porém, Diógenes mantém o seu ritual.  Para ele o mundo se dividia em quem assinava os contratos e quem fazia o serviço braçal.

Para Diógenes este dia era especial. Aconteceria uma reunião pela qual ele passou dias se preparando e que definiria o futuro da empresa, e por consequência o dele.

O elevador subiu suavemente até o 16º, onde deu um solavanco violento e parou. As luzes se apagaram, deixando apenas a iluminação de emergência e um silêncio profundo. O ar-condicionado desligou.

O calor neste dia está infernal e a cabine se transformou em uma sauna.

Ao tentar usar o celular percebe que está sem sinal. Desesperado,  ele aperta o botão do interfone, mas um chiado forte impede a comunicação. Então, ele começa a bater forte na porta de inox com sua camisa de linho belga molhada de suor.

– Alguém me ajuda. Estou preso. Tirem-me daqui. Eu tenho uma reunião em 20 minutos. – gritava com a voz mesclando arrogância com desespero.

Uma voz tranquila e serena ecoou pelo poço do elevador:

– Calma, Dr. Diógenes! É o Valdir. Estamos com falta de energia e o elevador não respondeu ao gerador. Já sabemos onde o senhor está. Os técnicos dos elevadores já estão a  caminho. É só 30 minutinhos. O Senhor está bem?

– Valdir! Liga para a minha secretária, avisa que estou preso.

– Ela já foi avisada. Fique calmo. A sua reunião foi adiada.

– Como ficar calmo numa hora destas – pensa Diógenes.

Ele senta no piso do elevador e encosta a cabeça na parede. O pânico começa aumentar, mas  escuta a voz do Sr. Valdir muito mais próxima. Desta vez, não pelo poço, mas de fora da cabine.

– Dr. Diógenes estou aqui para lhe fazer companhia.

Diógenes chega até sorrir, mas pensa por que aquele homem, que ele ignorou por anos, subiu 16 andares pela escada para lhe confortar e lhe fazer companhia?

Foram 45 minutos em que Diógenes, ensopado de suor, ouvia a voz de Valdir contando histórias revezando com piadas e gostando.

O técnico de elevador chega e abre a porta para que Diógenes possa sair. Ele olha para Valdir que com um sorriso estende a mão com uma garrafa de água e um pano limpo.

Naquele momento, todo o prestígio dos diplomas e carreira jurídica pareceu absurdamente sem importância. Nenhuma universidade o ensinou a sair de um elevador enguiçado. Nenhuma especialização tinha o poder de acalmá-lo no escuro como o Sr. Valdir, que foi ignorado por tanto tempo.

Diógenes sai de elevador com sua pasta caríssima, a deixa no chão, pega a água e bebe como se tivesse passado uma semana em um deserto. Passa o pano no rosto, agradece o técnico com um aperto de mão e abraça o Sr. Valdir como se fossem amigos de anos.

– Valdir. Muito obrigado. Não sei o que seria de mim sem você.

– Não foi nada Doutor. Estou aqui para isto. Para ajudar quem precisa.

No dia seguinte Diógenes as 7h45, com sua pasta de couro legítimo da marca Bellavorn, vestindo outro terno de alta costura feito pelo alfaiate Domenico Vittoré, passa na catraca do prédio, sem estar olhando o celular, com um sorriso, acena para os funcionários que estão polindo piso e percebe o Sr. Valdir com a cabeça baixa separando a correspondência. E, pela primeira vez ele para em frente ao balcão...

– Bom dia Valdir. Acho que vai chover, hein? Como está a família?

O antigo funcionário sorri surpreso, mas com a experiência de quem já viu muita gente aprender as lições mais difíceis da vida, responde:

– Bom dia, Dr. Diógenes! Tudo bem com todos. É! Vai chover mesmo.

Diógenes sorriu com sinceridade e caminhou até o elevador, consciente de que, pela primeira vez, conseguiu ver a vida além de seus diplomas. Agora ele não era apenas um grande executivo, com a lição aprendida, se tornou em um grande homem.



quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A varanda

 


Da varanda eu vejo Paraisópolis,

sem preconceito, sem julgamentos hostis,

vejo beleza, vejo gente, vejo vida,

uma paisagem forte, pulsante e colorida.

 

Não vejo distância, nem vejo separação,

vejo histórias desenhadas no coração,

e enquanto o céu se veste de cinzento,

contemplo tudo com profundo sentimento.

 

É domingo, e a nuvem cobre o céu,

mas meu copo de caipirinha faz seu papel,

traz limão, traz cachaça, traz alegria,

e dá mais sabor à preguiçosa poesia.

 

Enquanto Fabrícia, minha amada,

prepara a refeição, tão bem temperada,

a cozinha se enche de aroma e calor,

e a casa inteira se perfuma de amor.

 

Eu, da varanda, com o copo na mão,

contemplo Paraisópolis com admiração,

e entre um gole, um olhar e um sorriso,

percebo que a vida é o melhor paraíso.

 

Se o domingo é nublado, não importa o céu,

Cada dia de vida, é ganhar um troféu

há amor na cozinha, há paz no olhar,

e uma boa caipirinha para acompanhar.

 

E que nunca nos falte, seja onde for,

um pouco de coragem, de riso e de amor;

pois a vida, quando a gente sabe brindar,

fica ainda mais bonita de contemplar.

 

Então ergo o meu copo, em sincera alegria,

Celebrando a vida em sua doce harmonia,

À Fabrícia, ao domingo e à nossa trajetória

À Paraisópolis, tão viva em sua história.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Carregador na tomada


Eu publiquei o vídeo acima na minha página de Síndico Profissional do Facebook para alertar  as pessoas das consequências de deixar o carregador de dispositivos direto na tomada.

O vídeo foi criado por IA, e como é de 10 segundos, não dá para explicar muita coisa. Logo, foquei no principal: segurança e economia.

Duas pessoas reagiram ao vídeo uma, que vou chamar de João, dizendo que havia pesquisas de que não há consumo, e a outra, que vou chamar de Joana, falando que não há perigo.  A Joana excluiu o comentário logo em seguida. Ela deve ter pesquisado e visto que seu comentário era infundado. 

Quanto ao João eu respondi, e logo após minha resposta, ele excluiu o seu comentário e deixou outro dizendo que eu estava certo.

A resposta que dei ao João, eu resolvi compartilhar com os visitantes do meu blogue com um pouco mais de informação.   

Falamos do consumo...

O carregador age como um pequeno transformador ligado à energia elétrica. Os componentes ficam ativos para manter o sistema pronto para a chegada de carga do dispositivo. Não existem assessórios que desligam sozinhos. Eles precisam de timer, botão de on/off, termostato ou programação. Logo, um carregador na tomada consome sim. Entretanto, este consumo é considerado fantasma, ou seja, baixo custo. É insignificante para 1 celular, pois calcula-se um valor inferior a R$ 1,00 por ano. Por isto, algumas pessoas afirmam que o carregador ligado direto na tomada não consome energia. Porém, não podemos pensar individualmente, pois somente no Brasil existem cerca de 278 milhões de celulares ativos.

Não há uma precisão do número de carregadores que ficam permanentemente conectado à tomada. No entanto, há pesquisas e também alertas de concessionárias que indicam que milhões de pessoas mantêm esse hábito no dia a dia. Trata-se de um costume bastante comum, tanto no Brasil quanto em diversos países do mundo. Logo, mesmo em uma estimativa modesta, imaginando que apenas metade dos 278 milhões mantenham o carregador ligado à tomada e que cada aparelho gere um custo anual de apenas R$ 0,50, somente no Brasil, o valor desperdiçado alcançaria cerca de R$ 69,5 milhões por ano.

Isto é uma quantia significativa para um consumo de energia que poderia ser evitado, sobretudo em um momento em que o uso consciente dos recursos energéticos é uma preocupação mundial. E olha que eu fiz os cálculos por baixo.

Quanto ao perigo...

Quantos destes 278 milhões, por algum motivo, perderam o carregador e compraram o mais barato? 

Carregadores não originais oferecem perigo sim. E quem tem crianças e/ou pet é um risco também deixar o carregador plugado, carregando ou não, independentemente der ser original.

Há quem vai comentar sobre outros eletrodomésticos que ficam ligados direto na tomada como TV, micro-ondas, geladeira etc.  Na questão de economia mundial, com exceção da geladeira, que é necessário que fique ligada,  seria interessante desligar sim, porque também existe o consumo fantasma. Entretanto, não oferecem riscos por apenas estarem plugados na energia, pois, além da conexão permanente ter uma finalidade,  foram projetados para isto, já o carregador de celular não. Além disto, não tem sentido algum um carregador ficar na tomada com o cabo pendurado ou atirado no chão ou em um móvel.

Apesar dos carregadores não terem sido projetados para ficaram permanentemente plugados, os especialistas e fabricantes dizem que não há riscos, quando for de boa qualidade. Porém, em todos os vídeos que vi  até hoje, eles aconselham a não deixar. Se aconselham a não deixar, não podemos confiar, não é mesmo?

Ademais, se tem um profissional que eu admiro e confio plenamente, é o Bombeiro. E, em todos os cursos e treinamentos que participo, eu faço a mesma pergunta sobre o assunto, e a resposta é sempre a mesma:

“Se não estiver carregando, não deixe na tomada”.

Vale ressaltar também a importância de não deixar o telefone carregando sobre objetos de fácil combustão, como papéis, tecidos, etc., e principalmente embaixo do travesseiro.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Novo Golpe por telefone

A tecnologia veio para facilitar a vida das pessoas, principalmente dos golpistas. Com o avanço tecnológico, os golpes se modernizam na mesma proporção.

Contarei aqui  o golpe que tentaram me passar...

A recepcionistas do prédio onde eu sou Síndico me ligou dizendo que Marcos Felipe do Jurídico Financeiro da concessionária de energia elétrica “XPTO”, cujo nome não quero mencionar, queria falar comigo.

Ela, responsavelmente, perguntou se poderia passar meu contato e eu concordei.

O cara me ligou...

No início a comunicação foi meio complicada porque não estávamos nos entendendo, pois, como ele ligou para o telefone do condomínio entendi que ele queria falar com o Síndico, mas na verdade, ele queria falar com o titular do contrato do apartamento e não do contrato do condomínio.

Depois de tudo esclarecido, o Marcos Felipe disse que a “XPTO” precisava devolver R$ 750,00 devido a uma cobrança errada porque meu contrato, junto com 15mil clientes, passou para bandeira vermelha erroneamente. No começo eu estava muito desconfiado, mas o cara era habilidoso e tinha domínio do que falava apesar de a forma de falar era muito estranha. Porém, não era linguajar de bandido.

Eu acabei dando meus dados bancários para ele que me pediu um telefone fixo para um supervisor me ligar.

O procedimento era típico de concessionárias e operadoras de telefone.

O número era privado, mas mesmo assim o cara foi convincente.

Eu dei o número da minha sala que não dou para ninguém. Eu o tenho só por causa da internet ligada a linha.

Ele não pediu senha e nem mandou link para clicar. Se o fizesse, claro que eu ia manda-lo tomar sagu.

Mais ou menos 30 minutos depois ...

Eu estava fora da minha sala e me ligaram, desta vez  sem número privado, com a foto de um cara a frente do logotipo do “MEUBANCO”, cujo nome também não vou citar, falando que era da área de antifraude do banco e que teve uma movimentação suspeita em minha conta. Não lembro o nome dele.

Eu achei estranho porque os bancos não ligam, apenas bloqueiam, mas no calor do momento fui escutando.

Ele sabia os meus e-mail, que eu tinha vendido um carro e disse que fizeram um empréstimo em meu nome. Como ele viu que a coisa estava difícil, me disse que pegaram um dispositivo na agência, que fica em Porto Alegre. Ele mesmo disse que só entregam para o titular. Eu disse a ele que não era eu, porque moro e estava em São Paulo.

Aí, ele me enviou duas fotos minhas. Uma é de rede social, a outra eu não lembro onde e quando tirei. Ele disse que tentaram fazer reconhecimento pela foto e não deu certo. Engraçado que o dispositivo, no banco, conseguiram  pegar.

Então, ele me disse que eu teria que fazer os cancelamentos no APP do “MEUBANCO” com a orientação dele, e para isto precisaria de um telefone fixo, pois não poderíamos falar e usar o APP ao mesmo tempo.  Eu disse que não tinha. E, neste momento, ele disse:

– No cadastro do banco está o  “numerox”. 

O “numerox” é exatamente o número que eu passei pro primeiro filho de uma senhora que roda a bolsinha na esquina e que nunca passei para ninguém. O “MEUBANCO” não tinha como ter este número. Aí eu falei:

– Este é um número falso que eu dei pro filho da peguete do primeiro batalhão da infantaria. E neste momento não estou confiando em ti. Com licença. – e desliguei.

Na mesma hora liguei para a gerente do “MEUBANCO”, que me verificou que não houve tentativa de movimentação nenhuma e confirmou que o “MEUBANCO”, não liga e sim bloqueia a conta para que o cliente ligue para o canal certo e aí sim ser orientado.


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Copólatra em recuperação


Pois é, a copa acabou. E, como um copólatra assumido fico triste. Porém, acredito que devo ser um copólatra em recuperação porque não me empolguei tanto com esta copa, não. E não foi por causa da péssima atuação do Brasil. Em 1982, por exemplo, o Brasil teve a seleção considerada uma das melhores de todos os tempos, fomos eliminados antes da semifinal, mas eu continuei assistindo com empolgação.

 Teve copa que eu vi todos os jogos, inclusive aqueles que acontecem simultaneamente na última rodada da fase de grupos. Sim, eu coloquei uma TV ao lado da outra para sintonizar os dois canais. Teve outra que eu negociei com meu gerente da época para trabalhar a noite porque os jogos eram a tarde. Porém, nesta de 2026, foi a copa que menos jogos eu vi e também não comentei nas redes sociais como fiz em outras.

 Há muitas coisas a falar sobre esta copa. Entretanto, vou comentar o que acho relevante.

 Para começar falo do Neymar. E nada tem com cunho político. Quem ele vota ou deixa de votar é problema dele. O que eu queria é que ele entrasse, jogasse bem e marcasse gols. Já tem gente falando que o cara foi a maior decepção, mas vamos ser honestos? Ele jogou 38 minutos a copa toda divididos em dois jogos. Isto é menos que um tempo de jogo. Vai fazer o que neste pouco tempo?

 Quanto as seleções, torci para o Brasil, Colômbia e Portugal e Espanha.

 Mudando de assunto, eu não gosto de Copa que seja em mais de um país. Acho uma tremenda bobagem. É politicagem. Dois como foi Coreia e Japão já acho ruim, mas três é horrível.

 E por falar em três países, essa divisão só serve para escancarar o circo político que virou o torneio. Onde já se viu um absurdo como o Trump querer dar canetada para mandar anular cartão vermelho? E o que é pior, a FIFA covardemente acatou.

Futebol tem regra, tem juiz no campo e VAR na cabine, se um chefe de Estado começar a meter a colher para anular expulsão, é melhor transformar, de vez,  a copa num comício eleitoral.

 Outra coisa horrível é a possibilidade de suspensão de um jogo em atividade por conta das condições climáticas que em alguns estados é comum nesta época do ano. Eu até entendo a necessidade dos novos protocolos de segurança por conta das ondas de calor extremo e das tempestades severas que ocorrem. Mas a verdade é que os Estados Unidos não têm a menor qualificação para sediar eventos deste porte em estádios abertos. Uma parada forçada por tempo indeterminado destrói o ritmo de jogo, prejudica o condicionamento das equipes, desgasta os atletas e é um verdadeiro banho de água fria no espetáculo. Se a ideia era fazer um torneio nessas condições climáticas por lá, todos os estádios deveriam ser obrigatoriamente cobertos e climatizados para evitar e suprir esse tipo de revés.

 E, claro, não posso deixar de falar da arbitragem, que mais uma vez deu o seu show. A Argentina parece que joga com um regulamento próprio e um empurrãozinho extra da FIFA. O favorecimento acintoso contra o Egito já tinha sido difícil de engolir, mas o que fizeram contra a Espanha foi o cúmulo do absurdo. Fica difícil manter o entusiasmo de copólatra quando a impressão que dá é que o script já vem pronto antes mesmo do apito inicial.

Ainda bem que a justiça foi feita e “Y España ganó”.

Uma coisa que usaram nesta copa é que se a arbitragem de campo dá um escanteio que não foi, o VAR avisa para reverter. Porém, se for o contrário segue o baile. Acho errado e injusto. O argumento é que um escanteio é uma grande possibilidade de gol, logo, escanteio mal marcado seguido de gol é injusto.  Porém, uma falta perto da área também é perigo de gol e na copa de 2018 a França abriu o placar com um gol de uma falta mal marcada, e nada se fala, nada foi feito.

 Há uma solicitação da Federação Sul Americana, a COMEBOL, que o número de países participantes na copa do 2030 aumente de 48 para 64. Isto, sinceramente, achei sensacional. É uma oportunidade para mais países participarem.  Tomara que vingue.  Quem sabe assim, sobre uma vaga para a Venezuela, o único país da América do Sul, dos que têm futebol, que nunca participou de nenhuma copa. Eu torço por isto.

Haverá quem vai dizer: “Vai entrar muita seleção fraca”. 

Eu respondo: “Faz parte do pacote e ainda podemos ter uma surpresa positiva como Cabo Verde”.

           E depois, com 64 seleções acaba esta palhaçada de se classificar os 8 melhores terceiros. Aí, neste caso só passam para as eliminatórias o primeiro e o segundo de cada grupo.

            O ruim é que será em três países novamente, Portugal, Espanha e Marrocos e ainda com jogos comemorativos no Uruguai, Argentina e Paraguai, ou seja, teremos jogos em 3 continentes.  

            Eu faço as seguintes perguntas:

Se são jogos comemorativos de 100 anos de copa e a primeira copa foi no Uruguai, o que a Argentina e o Paraguai têm a ver com isto?

Quais os critérios para excluírem Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Chile e Equador?

 E para terminar, minha singela opinião para melhorar o futebol de forma geral, não apenas nas copas:

É ridículo os jogadores a bater um escanteio querer ganhar milímetros colocando a bola além da linha. Manda colocar da linha pra dentro pra acabar com isto.

Mais ridículo ainda é um jogador deitado atrás da barreira. Futebol se joga de pé. Tem que acabar com esta palhaçada.

Tem que acabar, também, com o papinho do Juiz no agarra agarra nas cobranças de faltas e escanteios.  Mete um amarelo logo, e se depois da cobrança se tiver agarra agarra marca pênalti ou falta.

Voltar a regra dos 6 segundos do goleiro. Não largou a bola dá tiro indireto. Aumentaram o tempo pra 8 segundos e mudaram pra escanteio, ou seja, diminuíram a pena e aumentaram a cera.

Se precisar do VAR pra saber se a ponta da chuteira está 0.001 mm mais a frente que o ombro. Considere mesma linha. Qual a vantagem o atacante leva nesta posição considerada impedimento?